Juremir Machado da Silva

Eduardo Cunha, o algoz da República

Até as baratas sabem que a corrupção no Brasil tem por base o financiamento empresarial de campanha.

A chave para entender essa relação promíscua é a célebre tirada liberal: não existe almoço grátis.

Quem paga a conta passada, cobra serviços e favores futuros.

O Senado aprovou uma reforma eleitoral boa demais para ser levada a sério.

Acabou com o financiamento empresarial, liquidou as coligações nas proporcionais, que alimentam as siglas de aluguel e permitem a eleição de candidatos menos votados do que outros, e estabeleceu uma barreira ao acesso aos recursos do fundo partidário. Só nove partidos passam nessa peneira.

A Câmara de Deputados derrubou tudo.

E piorou a situação criando o financiamento empresarial oculto. A empresa doará para o partido sem que se possa saber em qual candidato botou o seu dinheiro. Era o sonho dos políticos: receber dinheiro de empresas sem que o eleitor possa identificar a relação direta entre um candidato e uma pessoa jurídica.

Adeus à possibilidade de provar que o candidato A é financiando pela empresa B para defender seus interesses. O candidato fica protegido. Recebe do partido. É um faz de conta que salva da cadeia.

Eduardo Cunha manipula o antipetismo, fundamento ideológico dos pedidos de impeachment contra Dilma, e fica autorizado a destruir a República pelos bons serviços prestados ao golpismo.

PMDB e PSDB fomentam o golpe, fingem lutar contra a corrupção e, como todos, são beneficiados por um novo sistema que fortalece o toma-lá-dá-cá entre empresas e políticos e salva os eleitos de qualquer responsabilidade. Quem responde é o partido. É a consagração do "eu não sabia".

Eduardo Cunha é o que o Brasil tem de pior.

Severino Cavalcanti era oásis de moralidade perto de Cunha.

Ferrou!