Juremir Machado da Silva

EDUCAÇÃO SUPERIOR EM LULA vs FHC: A PROVA DOS NÚMEROS (2)

EDUCAÇÃO SUPERIOR EM LULA vs FHC: A PROVA DOS NÚMEROS (2)

Com esses dados, analisemos a situação da UFABC, precursora do REUNI
e, talvez por isso, posta no pelourinho. O jornalista e, em certo
momento, a imprensa paulista, consideraram alarmante uma evasão de 42%
em quatro anos. Puro desconhecimento do assunto. Se ajustarmos essa
medida num parâmetro temporal preciso, encontraremos uma taxa anual de
11%, abaixo, portanto, da média nacional para instituições públicas e
metade da taxa referente ao setor privado de ensino superior.
No terceiro bloco de questões, o jornalista denuncia a rede federal de
ensino superior como “cabide de empregos”: “Também cresceu
espetacularmente no governo Lula a máquina ‘companheira’. Eram 62 mil
os professores das federais em 2008 - 35% a mais do que em 2002. O
número de alunos cresceu apenas 21% no período. [... No governo FHC,
a relação aluno por docente passou de 8,2 para 11,9 em 2003. No
governo Lula, caiu para 10,4 (2008). É uma relação escandalosa! Nas
melhores universidades americanas, a relação é de, no mínimo, 16
alunos por professor. Lula transformou as universidades federais numa
máquina de empreguismo.”
O jornalista insiste em parar o tempo em 2008, desconhecendo o efeito
do REUNI. Nesse aspecto, o conjunto das universidade federais começou
a fazer investimentos a partir de 2008 (e isso incluiu naturalmente
contratação de docentes e funcionários) para dar conta do crescimento
do alunado no ano seguinte. Já em 2008, foram realizados concursos
públicos para mais de 6.000 professores e 4.000 funcionários, para
receber os 196.725 alunos novos que entraram nas 56 universidades
federais em 2009. Com a matrícula dos dois semestres deste ano de
2010, o sistema federal ultrapassou 13 alunos por docente, mantendo a
razão 18 alunos/docente como meta pactuada do REUNI para 2012. De
fato, enquanto o corpo docente da rede universitária federal aumentou
35% de 2002 a 2008 e crescerá em 50% até 2012, nesse período, o
alunado triplicará.
Apenas como exemplo concreto, posso apresentar o caso da UFBA: neste
ano, matriculando 34.516 alunos de graduação, nossa instituição
alcançou 16,4 alunos/docente. Passamos de 55 cursos de graduação em
2002, para 113 cursos em 2010, com aumento de vagas de quase 120%. Em
2002, oferecíamos 40 vagas em 01 curso noturno; em 2010, são 2.610
vagas em 22 cursos noturnos. Em relação à pós-graduação, os patamares
efetivamente alcançados são ainda mais expressivos, com aumento de
150% em vagas e matrículas, sendo mais de 300% no doutorado. Fizemos
tudo isso com apenas 416 novos docentes contratados em três anos.
A prova dos números com dados completos, tanto no sentido temporal
(quando inclui matrículas até 2010) quanto no sentido político (apesar
de o jornalista insistir em esconder o sucesso do REUNI), destrói seus
argumentos enganosos. Resta-lhe o exercício da retórica raivosa.
Máquina de empreguismo? Cabide de empregos? Essas grosserias insultam
a todos nós, dirigentes, professores, servidores e alunos de
universidades federais que, com grande esforço, estamos tornando a
educação superior pública brasileira flagrantemente mais eficiente,
competente, socialmente responsável.
Tendencioso, mal-informado, sem competência técnica em análise
elementar de dados, o jornalista não passa na prova de números que ele
mesmo propõe. Ainda bem que ele foi reprovado pois, nos planos
macroeconômico e político, uma contrafação ou fraude estatística pode
reduzir investimentos, desviar prioridades, suspender programas de
governo, fazer retroceder estratégias, destruir políticas e atrasar o
desenvolvimento social e humano do país.

Naomar de Almeida Filho
Pesquisador I-A do CNPq
Reitor da Universidade Federal da Bahia no período 2002-2010
Professor Titular de Epidemiologia, Instituto de Saúde Coletiva e do