Juremir Machado da Silva

Em defesa da propriedade intelectual

Em defesa da propriedade intelectual

Tem uma turminha de anarquistas adolescentes, alguns já meio velhinhos, querendo acabar com o direito autoral.
Alegam que ninguém pode ser impedido de ter acesso à cultura.
E que a universalização do saber exige que direitos autorais sejam quebrados.
Tudo deve ser compartilhado na internet.
É uma visão infantil.
Erra feio o alvo.
O direito autoral pode ter sido até hoje mais um direito editorial, protegendo interesses de editoras, mas também protegeu interesses de autores. Alguns puderam viver disso.
A partir de agora, com as novas tecnologias, o direito pode ser realmente autoral.
O sujeito que nada quer pagar por um livro está se apropriando do trabalho de alguém.
Como essa turminha anarquista ou marxista, que anuncia o fim do capitalismo, não percebe o óbvio.
A propriedade intelectual deve ser a mais sagrada das propriedades.
Ela não incide sobre algo externo ou anterior ao indivíduo, como a terra.
A obra intelectual ou artística é o produto do intelecto de uma pessoa.
O mais puro produto do seu trabalho.
Os anarquistas da internet querem explorar o trabalho alheio sem pagar.
São neoliberais ainda mais selvagens e gananciosos.
Querem cultura grátis.
São a favor das múltiplas jornadas de trabalho.
O autor deve servir-lhes obras gratuitas e trabalhar em outro lugar para ganhar a vida.
Por que essa turminha não entra no supermercado e leva comida sem pagar?
Afinal, o direito de comer deve ser o mais sagrado de todos?
Não é porque um arquivo pode ser multiplicado ao infinito que isso deve ser feito.
O direito autoral não deve pagar tinta, papel e transporte, mas o trabalho intelectual.
Chico Buarque deve ser pago a cada dia pelas obras-primas que criou.
Tudo fruto do seu trabalho.
Até criança cagada compreende isso.
O resto é conversa fiada de quem jamais produziu coisa alguma.
É um pessoal ruim de raciocínio lógico.

Uns dizem: um baixei um livro, mas comprei outro.

E daí? É como dizer que roubou um vinho no supermercado, mas comprou outro.

Tem também o que fala: os livros custam caro.

E daí? Por isso autores, tradutores, editores e demais não precisam ser pagos?

Ou se deve batalhar para o preço baixar?

Tem o cara que fala: é uma maneira de divulgar a obra do autor.

Cada um que faça o que quiser.

Se um autor, que disponibizar os seus livros. Problema dele.

Se uma editora quer fazer disse uma estratégia de marketing. Problema dela.

Só não se pode abrir um sitezinho e botar à disposição livros que não foram liberados pelos autores.

O resto é sofisma, conversa para boi dormir, sacanagem.

Na outra ponta, dando sopa, como tem reacionário espertinho.
Ruralista não deve ser chamado de ruralista.
Mas ecologista deve ser chamado de ecochato.
Ruralista – aquele que quer mamar no Estado e não ter de fazer reserva legal ou manter APPs –  é agrochato.
E tem aqueles que fazem chantagem barata: se for punir torturador, tem que o punir o outro lado.
Que outro lado, cara pálida?
Não há outro lado.
Há quem lutou contra uma ditadura escrota e pagou com a vida, com prisão, sendo torturado e com exílio.
O resto é estratégia de defesa pela inversão da ordem histórica.
Quem derrubou um governo legítimo e reformista foram os milicos.
Quem torturou, prendeu e matou foram os milicos.
Quem está reclamando punição aos torturadores são organismos internacionais de Direitos Humanos.
E há os que defendem os bancos. A culpa é só do governo. Uau!
Só ignora a parte de culpa do governo quem usa óculos no escuro.
E o resto?
Sugestão gratuita: leiam o Nobel de economia Paul Krugman.
E há os que defendem os nojentos de Higienópolis, que não querem metrô para não ter de conviver com a plebe.
E os que defendem Bolsonaro.
Eta mundo poluído!
É por isso que eu vou para Marte, o planeta vermelho.
Aconteça o que acontecer.