
Estavam lá o prefeito José Fortunati, o ex-deputado Pompeo de Mattos, os vereadores pedetistas Luciano Marcantônio e Luiza Neves, Antônio Ávila, velho amigo de Jango, e Christopher Goulart, neto do presidente derrubado pelo golpe de 1964, e organizador do seminário que, nesta segunda-feira, tratará do nefasto golpe militar em favor dos americanos, como volta a provar o documentário "O dia que durou 21 anos", de Camilo Tavares, desfechado por uma "vaca fardada", como Mourão Filho se autodefiniu, no Brasil de triste memória de março de 1964.
Almino e Waldir, ambos passados dos 80, esbanjaram juventude.
Waldir foi governador da Bahia e ministro da Defesa ainda no governo de Lula. Hoje é vereador em Salvador. Preocupa-se com a humanidade.
Almino foi, entre tantas coisas, vice-governador de São Paulo.
Viveram muito. Tem muito para contar.
Uma boa história de Almino: exilados no Uruguai, todo dia Waldir o pegava em casa às 7 horas da manhã. A vigilância tornou-se mais intensa.
Só poderiam estar conspirando.
A conspiração acontecia na Aliança Francesa.
Os dois aproveitavam para aprender a língua de Molière.
Uma constatação de quem foi protagonista da história: nenhum presidente abraçou o projeto de reforma agrária como o fazendeiro João Goulart.
E a reforma agrária o derrubou.
Didático, Almino lembrou, citando o gaúcho Paulo Schilling, o que era a concentração de terras no Rio Grande do Sul de 1964.
Um horror!
Virando-se para Waldir Pires, completou: "E no Nordeste então!"
Hoje, Christopher deve assumir interianmente, na presença dos ministros e amigos do avô, como vereador de Porto Alegre.
É política no sangue.