Juremir Machado da Silva

Erros de concordância e demagogia do Ministério da Educação

Erros de concordância e demagogia do Ministério da Educação

Toda vez que uma opinião minha contraria alguém, o que acontece seguidamente, o sujeito vem com essa: você foi influenciado, manipulado, emprenhado por este ou aquele, ou pela mídia, etc.
O mesmo aconteceu agora com o episódio do livro autorizado pelo MEC que avaliza erros de concordância.
Escrevi um texto em que aceito parte da tese: língua é convenção, certo e errado são relativos.
Mesmo assim alguns petistas ficaram indignados.
Eu estaria comprando uma tese elitista da mídia.
Conversa fiada.
É o livro mais idiota já autorizado pelo MEC.
Demagogia pura.
Um baita gol contra.
Pode-se compreender o falar das pessoas em função do contexto.
Legitimar é outro papo.
A conversa fiada, dessas que fazem a felicidade da direita, pois é claramente ideológica, no sentido rasteiro da palavra ideologia, já começa no livro com esta afirmação:

"A classe dominante utiliza a norma

culta principalmente por ter maior acesso

à escolaridade e por seu uso ser um sinal de

prestígio. Nesse sentido, é comum que se atribua

um preconceito social em relação à variante

popular, usada pela maioria dos brasileiros".
A escola republicana existe para fornecer a todos as mesmas condições de uso da língua. O uso da expressão "classe dominante" revela uma ideologia marxista embutida no conteúdo.

Sim, há preconceito contra quem comete erros de português.
É preciso superar esse preconceito.
Mais do que isso, é preciso superar os erros.
Diz a nova cartilha, caprichando na demagogia:

"Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado.

livro (masculino, singular) à os (masculino, plural)

ilustrado (masculino, singular)

interessante (masculino, singular)

emprestado (masculino, singular)

Você acha que o autor dessa frase se refere a um livro ou a mais de

um livro? Vejamos:

O fato de haver a palavra os (plural) indica que se trata de mais de um

livro. Na variedade popular, basta que esse primeiro termo esteja no plural

para indicar mais de um referente. Reescrevendo a frase no padrão da

norma culta, teremos:

Os livros ilustrados mais interessantes estão emprestados.

Você pode estar se perguntando: “Mas eu posso falar ‘os livro?’.”

Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação,

você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico. Muita gente

diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras

estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as

formas linguísticas. O falante, portanto, tem de ser capaz de usar a variante

adequada da língua para cada ocasião.

Existe outro tipo de concordância:

a que envolve o verbo. Observe seu

funcionamento:

Na norma culta, o verbo concorda,

ao mesmo tempo, em número (singular/

plural) e em pessoa (1.ª/2.ª/3.ª) com o ser envolvido na ação que ele

indica.

O menino pegou o peixe.
(...)

Os meninos pegaram o peixe.

(...)

Eu peguei o peixe".

Mais: "Há ocorrências como:

Nós pega o peixe.

(...)

Os menino pega o peixe.
(...)

Nos dois exemplos, apesar de o verbo estar no singular,

quem ouve a frase sabe que há mais de uma pessoa envolvida

na ação de pegar o peixe. Mais uma vez, é importante

que o falante de português domine as duas variedades e

escolha a que julgar adequada à sua situação de fala".
Falso.
Não é uma questão de escolha.
A escola republicana existe para ensinar concordância, e outras regras, a todos.
O sujeito que fala "nós pega o peixe" não escolhe.
Desconhece a regra. Pode ser vítima da "classe dominante" que não investiu em educação.
O MEC só tem uma coisa a fazer: jogar no lixo esse livro que presta um desserviço a todos.
É balela.
Demagogia.
Marxismo rasteiro e atrasado.
Compreender é uma coisa. Tornar equivalente é outra.
Língua é convenção.
A sociedade estabelece as regras.
Não as estabelece na mais completa arbitrariedade.
Escolhe aquelas que tornam a comunicação mais eficaz.
A concordância tem função.
Tem petista que adora pagar mico para a direita.
E sempre consegue.
Há inteligência nesse falar popular que estabelece por conta própria o que é correto em outras línguas (francês).
A escola existe para ir além dessa inteligência intuitiva.
O relativismo do livro do MEC nivela tudo ao dizer que é apenas questão de diferentes falares.
Tranforma a crítica ao erro em preconceito.
Para que escola?
Para ensinar marxismo linguistico?