Especialistas e seres complexos
Vou de carteiraço.
Sou doutor em sociologia pela Sorbonne.
Formei-me em História e em jornalismo pela PUCRS.
Em primeiro lugar.
Fiz pós-doutorado na França com Edgar Morin, Jean Baudrillard e Michel Maffesoli.
Segui cursos de Umberto Eco, Jacques Derrida e Pierre Bourdieu.
Sou convidado para dar cursos em universidades estrangeiras.
Sou um especialista.
Mas, como sempre me ensinou Edgar Morin, relativizo a especialização.
Num debate, vale o melhor argumento.
Que pode não ser de um especialista.
Um verdadeiro especialista não recorre a argumento de autoridade.
Seus argumentos é que lhe servem de credencial.
Claro que todo mundo pode escorregar nessa brincadeira.
Quem já não apontou o dedo como especialista que se coce.
Quando digo que sou formado em História em primeiro lugar, roço o argumento de autoridade.
Mas é uma forma de defesa.
Normalmente isso não me vem aos lábios.
Vida de polemista é excitante.
Volta e meia alguém pede a minha cabeça.
Ou me acusa de não ser especialista.
Ou tenta desqualificar meus títulos.
Um leitor me diz que não completei o curso de História.
É muito engraçado.
Sinto frustrá-lo.
Terminei, fui orador da turma, tive grandes professores e fui excelente aluno.
Na minha vida de jornalista muito já pediram a minha cabeça.
Um só conseguiu.
Faz 15 anos.
Estou sempre disposto a perdê-la por uma boa causa.
Ela é leve.
Serena.
Pode cair sem causar danos.
Como dia a música dos Serranos, sou "bagual que nunca se amana por mais golpeado que seja".
Durmo tranquilo.
Enquanto durmo, a extrema-direita perde o sono.
Quer me pegar.
Quem sabe um dia consegue!
Por que não?