A luz das estrelas esconde a memória do escuro,
Buracos negros engolem o brilho do futuro,
Colho framboesas a caminho do paraíso,
Que fica entre Palomas, Paros e a Liguria.
Não canto os pássaros que já não vejo
Nem as estradas que não bifurcam
Espalho retalhos da colheita vermelha,
Frangalhos da grande navegação a esmo,
Frutos ásperos desse desejo do mesmo:
Desejo de gozo, de amor e de repouso.
Tenho a alma exposta em praça pública,
Condenada junto com os seus despojos,
O rosto transformado pelo tempo,
Esse feitor infame de escravos.