Estratégias de leitor malandro
Como o melhor cronista de todos os tempos e, ao mesmo tempo, o mais medíocre, tenho de ajudar meus contemporâneos a refletirem sobre sobre os mais diversos assuntos, inclusive suas estratégias malandras.
O que eles fariam sem mim? Como viveriam? Sou um terapeuta pela mídia.
Como tem antipetista verde de tão reacionário transformado subitamente em monarquista?
Como intelectual brilhante e, ao mesmo tempo, medíocre, tenho de mostrar a alguns leitores que eles não me enganam.
Alguns, bem espertinhos, postam recados com palavrões, golpes baixos, sacanagens, mentiras ou com agressões a terceiros e esperam que sejam liberados.
Não o são.
Aí, cheios de suposta indignação, eles denunciam censura no blog.
Intrigas e insultos a quem não está jogo não são aceitos.
Tem gente que posta 30 comentários com nomes diferentes. Mas o IP (número da máquina) é o mesmo.
Tem quem debata consigo. Num post, com um nome, ataca. No outro, defende.
No terceiro, diz algo assim: "Estamos do mesmo lado".
É de se urinar de rir.
A pessoa pode dizer o que quiser no seu blog.
Como doutor em sociologia, historiador, jornalista e escritor, um dos mais influentes do mundo, especialmente em Palomas, devo explicar para que serve um casamento real: pour faire pleurer dans les chaumières.
É uma expressão francesa muita usada para essa historinhas reais.
Para arrancar lágrimas nos barracos, nos casabres, nas choupanas, nas casinhas em que gatas borralheiras leem Contigo e outras publicações igualmente instrutivas e sonham com William e Luan Santana.
Precisa eu, com minha imensa cultura, vir explicar isso.
Pobre Kate. Não pode mais ser chamada de Kate. Não poderá ter uma profissão. Terá de dar filhos ao marido, participar de cerimônias oficiais e fazer obras de caridade. Será um bibelô em tempos de emancipação da mulher.
A realeza é folclore. Alimenta a indústria do turismo. A rainha tira do chapéu títulos de nobreza.
Eu me concedi o título de Duque de Palomas e Algarves, o civilizador.
Tem sempre aquele que, magnânimo, alerta que a maioria dos meus leitores não tem condições de entender minhas citações filosóficas. Por que mesmo? O que significa esse menosprezo por meus leitores?
Tem sim.
A maioria dos meus leitores é burra?
Minhas citações filosóficas falam do cotidiano.
Não se impressionem com nomes.
Todas as citações que faço são autoexplicativas.
O que têm para dizer está dito nelas mesmas.
Até a Hebe Camargo é capaz de entendê-las.
Se eu fizesse a mesma citação dizendo que era do Louro José todo mundo entenderia.
Bons mesmos são os que citam Olavo de Carvalho como estilista grandioso.
Confundem apreço por ideias conservadoras com estilo, que, em alguns casos, até existe.
Misturam identificação pela direita com forma.
Ainda bem que estou disposto a prestar esclarecimentos.
Como não cultivo ódio, apenas amor, estou em condições de abrir caminho.
A massa é inteligente. O problema são os que querem pensar por ela.
Não deixarei. Estou disposto a me sacrificar por meus leitores.
Aceito repassar-lhes o meu imenso e inesgotável saber.
Minha genial mediocricade não tem fim.
Está à disposição de todos.