Juremir Machado da Silva

Eu sou a favor do destituição de Dilma se...

Sou terrivelmente legalista.

Se ficar provado que houve irregularidades nas contas da campanha eleitoral de Dilma, a cassação precisa acontecer.

É imperativo que aconteça.

O TSE deve julgar tecnicamente.

Será que o TSE é capaz disso?

Sou também favorável a que as contas da campanha de Aécio Neves sejam avaliadas tecnicamente pelo TSE.

Se houver irregularidade, ele deve ficar inelegível.

Já as pedaladas fiscais são um casuísmo.

Praticadas desde as época de Getúlio Vargas, não podem servir agora de argumento para uma destituição.

O argumento de que o passado não absolve o presente é falacioso.

Aplicar uma regra que jamais foi usada revela um casuísmo. Por que só agora? Porque se quer derrubar o governo.

E o legalismo?

Fica condicionado ao conjunto de fatores evidentes. Uma regra jamais aplicada cai em desuso. Se for repentinamente usada, tendo sido ignorada antes, é sintoma de que há um interesse escondido em recorrer a um instrumento não aplicado antes para retirar dele um benefício ocasional. A aprovação recente pela Câmara de Deputados, às pressas, das contas de Itamar Franco, FHC e Lula, todas com algum grau de pedaladas fiscais, revela que a regra não é universal. Logo, está prejudicada.

Ou a regra se aplica a todos ou a ninguém.

Fora disso, fica demonstrado o uso político de uma regra.

Sou favorável ao impeachment se ficar provado envolvimento da presidente em qualquer crime de corrupção.

Olhando retrospectivamente, não fosse o Fiat Elba, daria para dizer que Collor foi golpeado pelo PT e pelo PMDB.

FHC escapou ileso de um processo de impeachment embora motivo não faltasse.

O mesmo aconteceu com Lula.

Digo processo.

Teria sido preciso fazer a demonstração cabal de que FHC sabia da compra de voto para a emenda da reeleição e que Lula estava a par das maracutaias do mensalão. Eu acho que ambos sabiam de tudo. Achar é uma coisa.  Provar é outra.

Os ideologizados se contentam com ilações como as da Teoria do Domínio Fato, aplicadas ao mensalão petistas, mas não ao tucano. Condenar por especulações e encadeamentos supostamente lógicos não me convence. Com provas materiais, sou a favor de todas as destituições. Com elas, teria defendido a saída de FHC e de Lula. Com elas, defendo a saída de Dilma.

Falta pouco. Só as provas.