Jornalistas e publicitários adoram mitos.
Entre a construção e a desconstrução, preferem a primeira.
Historiadores e sociólogos integram a segunda categoria.
Leitores ideologizados escolhem outra coisa: a percepção seletiva.
Estamos em 2014. Há 50 anos o Brasil sofria um golpe de Estado.
Este é o assunto do ano.
Até em abril, então, nem se fala. É o único tema que interessa.
Jango foi assassinado? Duas correntes igualmente conspiratórias enfrentam-se nos bastidores: a primeira sussurra o seu temor de que os exames do material coletado nos restos mortais venham a ser manipulados para esconder a verdade, ou seja, o assassinato. A segunda, por razões, inversas, sussurra o mesmo temor, de que os exames venham a ser manipulados para esconder a verdade, a morte natural.
As duas correntes parecem ter um objetivo comum: manter a dúvida.
Vem aí mais um belo livro sobre o assunto: "Jango, vítima da ditadura", do advogado e escritor Iberê Teixeira. Um monumento de clareza.