Juremir Machado da Silva

Falcão no Inter e outras insatisfações

Falcão no Inter e outras insatisfações

Acredito profundamente na teoria do "lado do lá".
Quem está do lado de cá, que pode ser muito atrativo para quem está do outro lado, quer ir para o lado de lá.
Os do lado de lá, obviamente, querem vir para o lado de cá, que é o lado de lá de quem está do lado de cá, quer dizer... Entenderam, não é?
A humanidade é assim.
Quem não gostaria de ser comentarista de futebol número um da Rede Globo?
Falcão chegou lá.
Mas quer largar tudo para ser treinador do Inter.
A diferença de salário deve ser de R$ 100 mil para R$ 500 mil.
O dinheiro conta. Mas não é tudo. Para quem já tem muito.
Falcão está com saudades dos holofotes e dos desafios.
Quer mais brilho, mais luzes e mais trabalho por dia.
O tédio mata. Comentar um jogo a cada 15 dias deve cansar demais.
A vida é assim. Uns querem descansar, outros estão cansados de descansar.
Tudo muda.
Stédile, o chefão do MST, está descontente com o Bolsa-Família, que lhe rouba militantes.
O Bolsa-Família não permite o acirramento das contradições do capitalismo.
Aburguesa o campesinato, que, de barriga cheia, faz a sesta e desiste dos acampamentos.
Depois dessa, a CNA de Kátia Abreu vai passar a defender o Bolsa-Família, o melhor instrumento contra a pressão por reforma agrária no Brasil, o que faz de Lula quase um traidor do socialismo.
A melhor forma de dimunuir certas demandas é colocar a esquerda no poder.
O CEPRS, que exigia o piso federal de Yeda Crusius, aceitou proposta parcial de Tarso Genro.
Tudo depende de quem está do lado de lá para que a gente aceite ou não ficar do lado de cá.
Peleguismo? Traição?
Ou crença na perspectiva de chegar ao lado de lá mais rapidamente?
Com licença que vou ver o que está acontecendo no lado de lá.