Que coisa!"
As ervilhas querem dominar o mundo.
Tem gente que viveu uma época e a desconhece totalmente.
O mundo está virado mesmo.
Não falta gente, por ignorância vivida ou má-fé, para defender o golpe de 64.
O que diz o historiador Daniel Aarão Reis?
Isto: "De que as gentes que marcharam tinham medo? Tinham medo das anunciadas reformas, que prometiam acabar com o latifúndio e os capitais estrangeiros, conceder o voto aos analfabetos e aos soldados, proteger os assalariados e os inquilinos, mudar os padrões de ensino e aprendizado, expropriar o sistema bancário, estimular a cultura nacional. Se aplicadas, as reformas revolucionariam o país. Por isto entusiasmavam tanto. Mas também metiam medo. Iriam abalar tradições, questionar hierarquias de saber e de poder. E se o país mergulhasse no caos, na negação da religião? Viria o comunismo? O Brasil viraria uma grande Cuba? O espectro do comunismo. Para muitos, a palavra era associada à miséria, à destruição da família e dos valores éticos".
Um espectro, para os que possam não saber, é um fantasma.
Um fantasma pouco camarada.
Tem mais. Saiu em O Globo.
Em “A política nos quartéis — Revoltas e protestos de oficiais na ditadura militar brasileira” (Zahar), lançado esta semana, Maud Chirio, de 31 anos, francesa, dá belas lições de pesquisa.
Enquanto isso, o romance do espanhol Javier Moro sobre D. Pedro I irrita falsos historiadores brasileiros.
Assim: "O jornalista Laurentino Gomes declarou que a obra de Moro é um copidesque de outros livros já publicados sobre Dom Pedro I e que o escritor “adiciona à história estereótipos e lugares-comuns que nós, brasileiros, tanto nos empenhamos em evitar”.
Mas 1808, de Laurentino, é um copidesque, acrescido de lugares-comuns, de A corte no exílio, de Jurandir Malerba.
Contra carteiraços, carteiradas.
E tem essa do Ricardo Kotscho:
"Alguns togados ainda se mostram surpresos e inconformados com o que está acontecendo. E reagem com ira a cada nova denúncia sobre as suas atividades pouco republicanas, agora tornadas públicas, ameaçando processar jornais e jornalistas.
Habituados a julgar os outros, certos da impunidade eterna de seres superiores, simplesmente não aceitam também ser investigados e julgados, a partir das iniciativas da ministra Eliana Calmon, que simplesmente colocou para funcionar a corregedoria do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e fazer o que sempre deveria ter feito.
Ao levantar o véu (ou as togas) da magistratura, Calmon mexeu num vespeiro. A cada dia surgem novas notícias de abusos, privilégios, benefícios pagos indevidamente, obrigando os próprios tribunais estaduais a tomar providências.
Esta semana, por exemplo, o Tribunal de Justiça de São Paulo mandou suspender o pagamento de verbas ilegais pagas a desembargadores a título de licença-prêmio.
Juízes indicados pela OAB na cota do quinto constitucional para compor as cortes estavam contando o tempo de exercício da advocacia para calcular o valor das licenças-prêmio a que os magistrados têm direito.
Só que tem um pequeno detalhe: na mesma decisão, o TJ-SP isentou os magistrados da obrigação de devolverem o dinheiro recebido ilegalmente durante anos_ o nosso dinheiro, é bom lembrar _ alegando que eles agiram de "boa-fé".
Como assim? Se por acaso a Receita Federal me pagar um valor de devolução de imposto de renda superior ao que teria direito, posso simplesmente embolsar a grana? Ou devo comunicar o erro e reembolsar o Tesouro Nacional?"
Ficou difícil a vida dos seres superiores.
Mais uma, na Folha de S. Paulo, sobre a decisão do STJ nos casos de um estupro de menores e do bafômetro:
"Para Alexandre Camanho, presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, as decisões do STJ contrariam o "senso comum, a cidadania e a sociedade. Uma decisão protege o estuprador, a outra, o bêbado. A decisão sobre a lei seca, diz Camanho, representa a "vanguarda do atraso"."
Especialistas, claro, afirmam que a culpa é só dos legisladores.