Domingo de fevereiro. Vida mais tranquila.
Que tal pegar um cineminha para fugir da televisão com suas eternas revistas produtoras de depressão?
Fomos ver Trapaça, líder nas indicações para o Oscar, que, como se sabe, costuma premiar porcarias, promover atores chatos e ganhar espaços midiáticos planetários com uma cerimônia quase tão trepidante quanto uma sequência de batizados, casamentos e formaturas de filhos de amigos.
Trapaça é uma vigarice: chato, bobo, sem pé nem cabeça, descartável, patético, idiota, uma sessão da tarde com cenário novo.
Típico de Hollywood para o Oscar. Mais um filme para roedores de pipoca em público. Eu podia não ter visto essa bobagem. No resumo, falava em FBI. Sempre que no resume de um filme fala em FBI ou agentes do FBI, melhor não ir. É bomba. Só americanos e classes médias colonizadas por americanos podem gostar de uma historieta pastelão como essa de Trapaça.
É filme para a direita Miami.
No sábado, fui ver outro filme, 12 anos de escravidão. Existem filmes bons, ruins ou excelentes. 12 anos de escravidão está, como disse um crítico americano, em outra categoria, a dos filmes necessários. Todo o cinema brasileiro, torcido e retorcido, não dá dez minutos de 12 anos de escravidão. É o lado luminoso do cinema americano. Viva o paradoxo.
Saí do cinema com uma certeza: ninguém que tenha sido dono de escravos, mesmo o maior gênio do mundo, é realmente digno de admiração. No Rio Grande do Sul, todo ano, festejamos nossos senhores de escravos.