Juremir Machado da Silva

Filosofia cubana





Estou em Havana. Saio para caminhar, perto do hotel, pouco depois das sete horas de manhã. Está escuro. A temperatura é agradável. Sento-me para desencasar. Um cubano de cabelos brancos se aproxima. Puxa conversa.

–   Francês?

–   Brasileiro.

–   Fazendo turismo?

–   Trabalhando.

Dois minutos depois, estou fazendo a pergunta de sempre, como se não houvesse mais o que falar com cubanos, com a certeza de, enfim, desvendar o enigma.

–   E a revolução?

–   Resiste.

–   Mas o senhor gosta?

–   Por que caminha de manhã?

–   Não caminho.

–   Como não?

–   Só estava tentando conhecer as imediações do hotel.

–   Eu também.

–   Ainda não conhecia as imediações do hotel?

–   Sim, claro, vivo aqui desde sempre.

–   Então?

–   Vamos caminhando.

Resolvo aproveitar a situação e ser incisivo:

–   Falta-lhe liberdade?

–   Muita. E dinheiro, juventude e projetos.

–   Teria tudo isso se Cuba não fosse comunista?

–   Você tem?

–   Vivo num país livre.

– Sim, imagino. O que é mesmo a liberdade?