Folha de S. Paulo faz jornalismo cultural vagabundo
Qualquer um sabe que a Folha de S. Paulo faz assessoria de imprensa para a Cia. das Letras.
De vez em quando, porém, a coisa se torna surrealista.
Lira Neto está pesquisando para uma biografia de Getúlio Vargas em três volumes.
Sairá pela Cia. das Letras.
Há uma operação de marketing para transformar o lançamento em evento.
Lira Neto consegue plantar notas nos jornais preparando o terreno.
Hoje, a Folha.com publica matéria sobre o que seriam grandes descobertas do biógrafo.
"Após repetidas visitas a São Borja (município onde Getúlio nasceu, no Rio Grande do Sul) e Ouro Preto (onde estudou em Minas Gerais), descobriu que Getúlio era falsamente acusado de dois assassinatos".
Qualquer um sabe disso. Está em todos os livros, inclusive no meu.
"Pela primeira vez alguém teve acesso aos inquéritos de dois assassinatos atribuídos pelo Carlos Lacerda a ele. Pelo menos nesses casos, o Getúlio estava limpo", revelou.
Revelar o quê? O que já estava revelado. Qualquer historiador tem na sua biblioteca livros que revelam essa revelação. Esse Lira Neto é um baita mentiroso com suas falsas revelações.
O jornalismo cultural da Folha de S. Paulo já foi melhor.
"Uma das acusações dizia respeito à morte de um cacique, em 1920, por um homem chamado Getúlio Dorneles Vargas.
O processo se referia a esse Getúlio como nascido em ano e município que não condiziam com os do ex-presidente. Pensei: ou está errado ou é outro", disse Neto.
É história sabida, documentada e publicada.
"Após pesquisar as certidões de nascimento, descobriu que de fato havia, no Rio Grande do Sul, um segundo Getúlio Dorneles Vargas, homônimo ao presidente. Era um erro histórico que estava sendo perpetuado", concluiu Neto.
Concluiu o que estava concluído.
Em meu livro, "Getúlio", como em outros, está escrito assim: "Lutero foi categórico: ’Era outro homem com o mesmo nome do meu pai. Isso foi esclarecido na época’.
E foi. Na justiça.
Pelo jeito, temos novo picareta na área.
O texto da Folha foi assinado por Robert Kaz.
É o triunfo da ignorância? ou da desonestidade?
É assim que se constroem os best-sellers.