Tem gente que adora se enganar.
É uma maneira de passar o tempo e de preencher o vazio da existência entre uma novela e outra.
Alguns acreditam piamente que o “Fora Dilma”, que tentará realizar seu grande ato neste domingo, tem por objetivo principal combater a corrupção no Brasil e moralizar a nação. Isso é só um pretexto baratinho. Se fosse verdade, estariam pedindo também a queda de Eduardo Cunha (PMDB), Renan Calheiros (PMDB) e muitos outros.
Exatamente como em 1964 é um ato organizado contra o comunismo ou que se imagina seja o esquerdismo petista de hoje. Um remake da Guerra Fria. Ou contra o que o colunista de direita mais enlouquecido e medíocre do país, Rodrigo Constantino, chama, com sua costumeira falta de originalidade e de imaginação, de “maré vermelha”.
O PSBD faz hoje o papel que ontem era da UDN de Carlos Lacerda.
O economista e ex-ministro tucano Luís Carlos Bresser Pereira disse ao programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, que deixou o PSDB quando viu que ele se tinha transformado num instrumento do conservadorismo.
Uma UDN dissimulada que dá o tapa e esconde a mão.
Quer o impeachment, mas não diz claramente para não ser chamada de golpista.
A ação contra Dilma neste domingo é ideológica. Nada mais.
Como em 1964, vai usar a classe média apavorada com a corrupção e até parte das classes mais pobres assustadas com a virada de Dilma à direita com seu pacote de redução de direitas trabalhistas.
O jornal Folha de S. Paulo já percebeu a marcha das coisas: “No dia 15, jovens adeptos da cartilha liberal, empresários que pregam enxugamento radical do Estado e até defensores da intervenção militar prometem marchar juntos em mais de 200 cidades”. A marcha não é contra uma deriva pontual, mas contra uma visão de mundo.
Será a marcha da direita contra a esquerda, dos velhos e neoliberais contra os desenvolvimentistas, dos lacerdinhas contra os assistencialistas, da UDN/PSDB contra o PTB/PT. Tudo de novo.
A Folha de S. Paulo foi atrás dos organizadores das manifestações: "Os caras do Vem Pra Rua são mais velhos, mais ricos e têm o PSDB por trás", diz Renan Santos, 31, do MBL (Movimento Brasil Livre).
A prova de que a corrupção é questão menor aparece em cada declaração: “O MBL quer impeachment mesmo que isso signifique o vice, Michel Temer, ou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (ambos do PMDB), na Presidência. "O PMDB é corrupto, mas o PT é totalitário", diz Kim Kataguiri, 19”. Só os ingênuos acham que não é ideológico. Aliás, os ingênuos acreditam na cantilena ideológica de que as ideologias ficaram para trás ou que só esquerdistas creem nisso.
O direitista é um ideólogo que crê na neutralidade da sua ideologia.
Vem pra Rua, MBL, Revoltados, Legalistas...
Grupos que vão do neoliberalismo extremista ao fascismo que defende golpe militar.
O facebook do Revoltados Online mostra a sua cara com ideologia sem máscaras: “DA SÉRIE É FÁCIL SER COMUNISTA COM O DINHEIRO DO OUTROS. -O QUE O VAGABUNDO,SAFADO E ESCROQUE MOLUSCO MOR" DEIXOU NO BRASIL”.
Um site mostrou o perfil de um dos jovens lobos: “Um dos líderes da manifestação nacional que, entre outras pautas, pedirá o impeachment da presidente Dilma Rousseff no domingo (15) é um jovem de 19 anos, neto de japoneses, que defende uma economia de linhagem liberal e que largou a universidade antes de terminar o primeiro ano: “Estava sem tempo para ir e as faculdades de economia no Brasil são muito atrasadas”. Kim Kataguiri faz parte do Movimento Brasil Livre (MBL), grupo favorável a uma política econômica liberal, com um Estado microscópico – o que se traduz com medidas como a privatização de estatais e dos sistemas de saúde e de educação (‘com a distribuição de carteiras para aqueles que não puderem pagar’). Defende ainda a ‘liberdade de imprensa’ e o ‘fim do perdão de dívidas de ditaduras’."
Trocando em miúdos, jovens desmiolados seguidores da extrema-direita americana.
A mídia lacerdinha brasileira tem estimulado o golpismo por meio dos seus colunistas de extrema-direita, que vão de Rodrigo Constantino e Merval Pereira a imitadores regionais aguados.
A tradução do lema do “fora Dilma”, alavancada como luta contra a corrupção, é: fazer política social com dinheiro dos outros é roubo. Ideologia pura. O alvo é o Bolsa-Família.
O resto é falatório.
Primeira tentativa de golpe virtual no Brasil.
Fascismo na era da internet?