Juremir Machado da Silva

Futebol, ideologia e Copa

Outra Copa

 

      Tite divulgou a lista de jogadores brasileiros para a Copa da Rússia. Já me vejo assistindo aos jogos. Eu torço mais pela Seleção do que por clube. E não é por patriotismo excessivo. Meu critério é simples: time se faz com dinheiro. Seleção se faz com nascimento. Os europeus têm os melhores times do mundo graças à grana que possuem. Estão sendo comprados por árabes bilionários. É a força pura do dinheiro. Não podem, por enquanto, comprar e naturalizar onze craques para formar uma seleção mundial imbatível. Se pudessem, fariam Messi, Cristiano Ronaldo, Suarez, Salah e Neymar jogar pelo mesmo país.

Futebol é cada vez mais negócio. O clichê ecoa como um grito de gol. Paradoxalmente o único momento em que o critério de formação dos times não passa pela maior capacidade financeira de alguma parte é o da formação das seleções. É claro que uma seleção gera dinheiro para federações e cartolas abjetos. A CBF está aí para não me deixar mentir. Volta e meia um contrabando é feito, um jogador é convocado para ser valorizado. Para ganhar no futebol, porém, só o mérito vale. As malandragens não resultam em dribles, gols e títulos. As seleções são o momento de verdade do futebol a partir da qualidade dos jogadores de um lugar e não do dinheiro para adquirir outros tantos.

Messi chegou criança à Espanha. Ganhou tudo no Barcelona. Manteve-se argentino. Esse vínculo o dinheiro não conseguiu comprar. Alguns jogadores se naturalizam em busca de oportunidades. CR7 poderia hipoteticamente ser campeão do mundo com a Espanha. Preferiu sempre se manter português sonhando em levar ao apogeu a pequena esquadra lusa. Jamais passou pela cabeça de Neymar virar europeu. O egípcio Salah não defenderá a Inglaterra na Rússia. Seleção é outra coisa. Como compram jogadores feito commodities, restou aos europeus disseminar a ideia, por anseio de originalidade, de que geram os melhores técnicos e as inovações táticas. Nos últimos 50 anos poucos treinadores realmente inovaram. Eu diria que apenas três: Rinus Michels, Cruyff e Guardiola.

O dinheiro, dirão alguns, está por trás do melhor planejamento gerador de craques. A esculhambada Argentina não ganhou da planificada Alemanha, em 2014, por detalhes só explicados pela magia do futebol, onde incertezas engolem certezas e o inesperado faz gols incríveis. Os cientificistas vibraram com o 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil. Seria a prova de que a ciência vence a improvisação. A Argentina, tão ou mais improvisada que o Brasil, quase afundou a tese. Ou afundou. Primeiro sou torcedor de seleção. Depois, de clube. Ninguém planejou o nascimento de Neymar no Brasil ou de Messi na Argentina. O dinheiro ainda não venceu o amor deles por seus belos e bagunçados países.

Na Copa da Rússia, torcerei por Brasil, Uruguai e Argentina, nessa ordem, e por qualquer país não europeu, salvo a Islândia. Melhor ainda seria ver um país africano campeão. Os sul-americanos são os desafiantes que costumam atropelar a empáfia europeia. Na era da globalização, com jogadores do mundo inteiro e transmissões planetárias, a Europa saqueia o pobrerio e se exibe. Copa é duelo.

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Acertei os 23 convocados de Tite.