No passado, a diferença entre um corso e um pirata era simples como um nascer do sol: o corso era um pirata autorizado pelo Estado – desde que dividindo com este o butim obtido – a rapinar no mar.
Garibaldi recebeu um carta de corso graças à intervenção de Tito Lívio Zambeccari, italiano aliados dos farrapos na luta contra o Império.
O intrépido Garibaldi logo usou a sua condição de corso.
Atacou navios, entre os quais o "Luiza", que capturou e batizou de Mazzini, afundando o seu de mesmo nome, em homenagem ao seu guru.
Evidentemente que o Império o considerava apenas um bandido:. O "Jornal do Commercio", como cita Gianni Carta em "Garibaldi na América do Sul", como faria um jornal de hoje em relação a um terrorista, não o poupava: "O pirata [Garibaldi mandou que o navio de guerra [o Mazzini fosse afundado e navegou com outro [o Luiza capturado Seis dias mais tarde as pessoas [a tripulação e os passageiros receberam ordens para desembarcar, todas a salvo, graças a Deus". Como se vê, praticava-se o sequestro e o cárcere privado. As pessoas da época achavam isso insuportável e exigiam providências.
O interessante disso é que muitos dos que hoje endeusam Garibaldi e os farroupilhas odeiam os corsários (black blocs, guerrilheiros) atuais, que rotulam de terroristas. O argumento é sempre o mesmo:
– Naquela época era diferente.
Os "homens de bem" daquela época não pensavam assim.
Exigiam do Estado o cumprimento das leis. Os fãs dos farrapos entendem que os motivos deles eram bons e justificavam o que eles faziam. Os rebeldes de hoje, chamados de terroristas, pensam o mesmo dos seus motivos.
Garibaldi foi embora para o Uruguai por insatisfação com o reacionarismo dos farrapos. Ele era republicano, defensor do povo e abolicionista.
Não queria fazer apenas uma revolução de proprietários.
Rossetti, editor do jornal farroupilha O Povo, brigou com os donos do veículo por causa da censura: não podia defender a abolição dos escravos nas páginas do jornal do movimento cujo slogan era Liberdade, igualdade e humanidade.
O abolicionismo dos italianos da revolução farroupilha mostra que nem tudo mundo na época aceitava a infâmia da escravidão de homens.