Juremir Machado da Silva

Golpe, lances e apostas

O ano de 2021 começou hard

Foto :

Tentativa de golpe nos Estados Unidos. Invasão do Congresso por neofascistas.

Donald Trump chamou de patriotas os maus perdedores.

A Venezuela publicou nota em defesa da democracia ameaçada nos Estados Unidos.

O presidente defendor da cloroquina, ídolo dos terraplanistas, rodou na prova.

Saldo: quatro mortes e uma democracia ferida.

Como isso repercutirá nas eleições de outros países com líderes autoritários no poder?

A boa notícia é que a vitória de Joe Biden foi sacramentada.

Trump é um projeto de ditador de extrema direita que a democracia rejeitou.

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      Façamos alguns cálculos: o que se perde usando máscara? Os testes feitos por especialistas dizem que elas funcionam e dão em torno de 99% de proteção. Examinemos duas hipóteses: a) eu uso máscara e ela não protege. O que eu ganho? Nada. O que eu perco? Nada; b) eu uso máscara e ela protege. O que eu ganho? Tudo. Se não usar, o que eu posso perder? Tudo. Pensemos no presidente Bolsonaro: se ele dissesse aos brasileiros para usar máscara, o que ele perderia? Nada. O que ele poderia ganhar? Tudo. O mesmo vale em relação ao isolamento mínimo, não fazer festa, não se aglomerar, esperar a poeira baixar. Não?

      O que ganha o presidente desqualificando o uso da máscara e o isolamento? Nada? Alguém dirá, ganha os votos de quem pensa como ele. Mas o que ganha quem pensa como ele não usando máscara, um dispositivo que se bem não fizer, mal não faz? Vejamos o caso da vacina. Só haverá aplicação com o aval de agências compostas por cientistas. Se a vacina é o único caminho para voltar à normalidade e reativar as economias, sendo garantida pelos especialistas de cada país e cada vacina sendo aprovada por diferentes países, o que ganha o presidente duvidando do imunizante? Não seria mais útil para ele estimular o uso? O presidente alega que as vacinas podem fazer mal, sendo prova disso o fato de que as empresas não querem se comprometer com efeitos colaterais.

      Será que cientistas americanos, asiáticos e europeus estão mentindo sobre a segurança dessas vacinas? Ou enganados? Pode ser. O que habilita Bolsonaro a estar mais certo do que eles? O presidente insiste na hidroxicloroquina. Muitos cientistas negam qualquer efeito desse medicamento no combate ao coronavírus. Há, porém, quem o recomende, como o médico francês Didier Raoult. Bolsonaro, apesar da desigual divisão entre especialistas, acredita na hidroxicloroquina. Por que não acredita na máscara em relação à qual praticamente não existe divergência? Há quem afirme que a hidroxiclorina pode ter feitos negativos em alguns organismos. Ninguém diz isso de uma máscara. Recomendar o uso da máscara pode trazer muitos benefícios e nenhum prejuízo. Não há certeza de o uso da cloroquina traga benefícios, mas há demonstração de que pode provocar algum dano.

      Entre o quase certo e duvidoso, por que ficar com o duvidoso? Bolsonaro diz que o sol ajuda a blindar o organismo contra o coronavírus com a vitamina D. Cientistas não confirmam. Se fosse assim, por que tantos infectados no Nordeste e em Manaus? Por que Joe Biden já se vacinou? Será que Bolsonaro acredita que injetaram um placebo no novo presidente dos Estados Unidos? Enfim, seja qual for o cálculo de Bolsonaro, em casos como o da máscara ele escolhe não ter a possibilidade de ganhar mesmo não existindo perigo de perder. O argumento da liberdade individual não se sustenta. Ou ele não usa cinto de segurança? Viaja para lugares que exigem comprovante de vacina contra a febre amarela sem a prova de estar imunizado? Eu adoraria conhecer a tábua de cálculos do presidente da República.