Juremir Machado da Silva

Gre-Nal: dois empregos garantidos

Gre-Nal: dois empregos garantidos

Deu Inter.
Maravilha!
É sempre bom ganhar.
Mas deu Inter apesar do Falcão.
Ele fez tudo, no começo, para perder.
E quase conseguiu.
Entrou da pior maneira possível. Incompetência pura. Falta de convicção. Experiência fora da hora. Chute na lua.
Demonstração de medo. Falta de disciplina tática.  Comportamento volúvel de diletante.
Precisava fazer dois gols de diferença e entrou com três zagueiros, no que Hiltor Mombach chama de "esquema chama-derrota".
Chamou.
O Grêmio foi para cima.
Fez o gol de sempre, com o Inter tentando a linha do impedimento.
Diante da tragédia iminente, só restou ao Falcão mudar o time.
Escolheu o óbvio. Enfim.
Botou Zé Roberto para fazer companhia a Damião.
Até então a função era de D’Alessandro, que, fora de lugar, não tocara na bola.
Falcão tinha conseguido botar o argentino dentro e, ao mesmo tempo, fora do jogo.
Com Zé Roberto, amaldiçoado por todos os comentaristas e pela maioria dos torcedores, o Inter jogou.
Damião deixou o seu como sempre.
Andrezinho, a aposta permanente de Falcão que mais deu certo, também marcou.
D’Alessandro chamou a responsabilidade para si.
Bateu o pênalti do tempo regulamentar com autoridade.
Renan falhou como sempre.
E defendeu pênaltis como nunca.
O Inter levou três em casa.
O Grêmio levou três em casa.
No duelo entre dois ídolos, Falcão e Renato,
dois técnicos ruins,
acabou vencendo o que mais errou.
Bom para nós colorados.
Espero que Falcão tenha aprendido: é preciso jogar com dois zagueiros, dois volantes, dois meio-campistas armadores e dois atacantes, um centralizado e outro pelos lados.
É barbada.
Pode-se perder assim.
Mas se tem alguma chance de ganhar.
O resto é concorrência ao professor Pardal.
Falcão parece gostar disso.
Com resultados tão disputados,  os dois treinadores garantem seus empregos.
Tudo isso é culpa dos dirigentes, que acreditam em pensamento mágico.
Técnico mesmo é Muricy Ramalho.
Onde vai levanta taça. Mesmo quando joga no famigerado 3-5-2.
No Inter, faturou duas, dois campeonatos gaúchos, em 2003 e 2005.
Tomara que ganhe, enfim, a Libertadores com o Santos.
É o único com uma pilha de títulos em dez anos.
O resto é amador ou perdedores fazendo rodízio.
É o que mais tem.
Dá-lhe, Inter.
Mas vai precisar melhorar para emplacar no Brasileiro.
Temos uma grande oportunidade: não há qualquer competição para atrapalhar.
O Brasileiro de pontos corridos é o campeonato mais difícil do mundo, o mais interessante, muito superior em competitividade à Libertadores, que é um torneio, e é esse o título que o Inter precisa ganhar.
O Brasileiro só se ganha com regularidade e competência.
As demais competições se ganham até com um pouco de sorte.
Tomara que Falcão se converta milagrosamente em Muricy.
Dá-lhe, Inter!