Juremir Machado da Silva

Hélas, deu m

Hélas, deu m



Luiz Inácio falou:
– Vocês estão na merda.
Luiz Inácio prometeu:
– Vou tirar vocês da merda.
Todo mundo entendeu.
Luiz é o cara: 80% de aprovação popular. Nunca antes na história deste país um presidente ficou tanto tempo no poder com tamanho índice de aprovação. O cara é fera.
A oposição acha isso uma merda.
O homem falou na língua do povo. Foi direto ao ponto, sem firulas nem frescura. Botou os pingos nos is. E tocou flauta na mídia: os jornalistas são piores.
Luiz Inácio tem senso de oportunidade: estava falando de esgotos e de saneamento básico.
Notícia de última hora: a monarquia acabou. A realeza deu os doces. Pompas agora só fúnebres.
Sarkozy beija Carla Bruni na boca em público. E o público morre de inveja. O público quer mais. Nada como uma primeira-dama gostosa. O público quer espetáculo.
Michele limpa o casaco de Obama antes da foto.
As feministas americanas morrem de raiva.
Luiz Inácio não tem papas na língua.
A liturgia do cargo já era.
Ainda bem.
Na corte de Luis XIV a merda corria nas alcovas, descia pelas escadas, inundava o palácio e as ruas.
Deu merda no reino de Luis XVI.
O povo perdeu a cabeça.
Quer dizer, os reis perderam as suas cabeças.
Só Berlusconi ainda vive como um sultão.
FHC dizia chiquérrimo em francês: “Hélas” (infelizmente, pobre de mim, que pena).
O povo não entendia bulhufas.
Achava uma merda.
Mas a mídia vibrava.
Que presidente elegante!
Que belo intelectual!
Que baita homem!
Um estadista.
Um orgulho para a imagem do Brasil lá fora.
Uma glória nacional.
FHC dizia: “Esqueçam tudo o que escrevi”.
Hélas, ninguém tinha lido.
Que merda!
Hélas, Luiz Inácio diz merda.
Que merda, FHC dizia hélas.
Estamos vivendo um novo tempo.
Tempo de dinheiro na cueca, dinheiro na meia, dinheiro na mala, dinheiro na conta, dinheiro por fora, dinheiro por dentro. Afinal, como disse o Robertão, antecipando a literatura da Bruna Surfistinha, é dando que se recebe. A turma do Arruda está aí para provar.
Hélas!
Que merda!
Foi o Luiz Inácio quem disse.
Só estou usando o vocabulário presidencial.
Que merda.
Palavra de Luiz Inácio.
Quer dizer, palavrão.