Juremir Machado da Silva

Histórias de leitores e da Legalidade (1)

"Juremir ! Li tua excelente coluna de hoje, sob o título : " Minissérie da Legalidade  ". Tenho 65 anos e em agosto de 1961 fiz vigília na frente do Palácio Piratini, a exemplo de tantos que se empolgaram com o brado de Brizola, que ganhou eco mundial. Siga a linha do tempo e veja o que aconteceu, em seguimento : 1962, eleição para Governador do Estado. O candidato de Brizola, Egydio Michaelsen, é derrotado por Ildo Meneghetti ( PSD/UDN/PDC/PL/PRP ), pela segunda vez eleito Chefe do Poder Executivo gaúcho  ( eleição anterior : 1954 ). O algoz de Michaelsen não foi Meneghetti. Fernando Ferrari, do Movimento Trabalhista Renovador ( MTR ), o homem das " mãos limpas ", morto em acidente aéreo em 1963, rachou o PTB, no pleito de 1962. Brizola elegeu-se Deputado Federal pelo Rio de Janeiro, em 1962, com a maior votação até então obtida por um parlamentar federal. Carlos Lacerda governava o Rio de Janeiro. A partir do plebiscito de janeiro de 1963, quando Jango consegue que haja rejeição ao Parlamentarismo, solução costurada em setembro de 1961  por Tancredo Neves, dentre outros, começa a conspirata que o derrubará em 31 de março de 1964.   Vá em frente com o teu projeto de filme. Terás cabeças encanecidas recordando que o sonho não acabou. Um abraço do leitor, José Diogo

 

Juremir, tu, com os teus “só” quarenta e muitos anos não viveste o que eu vivi ,ou presenciei, lá da nossa Livramento, em 1964.

Naquela época vivia-se a mais escandalosa desordem institucional neste País. Aliás, isso tudo começou com o teu ídolo Brizola, na tal de “Legalidade” em 1961.

A Legalidade Dele nada mais era senão assegurar  o Governo Central nas mãos (fracas) do cunhado Jango, para que ele pudesse pessoalmente se beneficiar politicamente e até materialmente .

Embora eu seja contra toda e qualquer regime ditatorial, até mesmo dentro do nosso Inter, entendo, perfeitamente, a deflagração do Golpe Militar, cujo o grande culpado foi o pachola Brizola, com suas manjadas patacoadas, que enfureceram a maioria avassaladora da população dos outros estados e da metade do RS.

Agora vejo teu grande esforço na tentativa de dar um grande destaque à essa figura que só trouxe prejuízos ao nosso Estado. Tem muitas pessoas da história gaúcha que foram mil vezes mais importantes. Acho que mesmo com todo o teu talento, e publicidade, teu livro sobre a Legalidade será um grande fracasso editorial. Talvez o maior de todos, que tenho em minha casa.

Por isso tudo e muito mais, com meus 64 anos de vida, entendo perfeitamente o editorial de O Globo, pois seu teor está perfeitamente adequado àquele triste momento de nossa História.

A Legalidade nada mais foi do que uma tentativa frustrada de assegurar os interesses políticos pessoais do Sr. Brizola. Não me venham com estórias de heroísmo: na hora do “pega pra capar” ele se mandou, travestido de freirinha, para o Uruguai, onde viveu por 15 anos, sem nada fazer, como um abastado r parasita fazendeiro fronteiriço, deixando os coitados dos seguidores levando muito pau no lombo, fora aqueles que sucumbiram a mando dos Donos do Poder .

Somente os ingênuos não enxergam isso!

Abraço,

Manoel Luiz Silva dos Santos

 

Olá Juremir:

Ainda não li o seu último livro sobre o episódio da Legalidade, mas lembrei do livro, MEIO SÉCULO DE CORREIO DO POVO - Glória e Agonia de um grande jornal  - Breno Caldas (depoimento a José A. Pinheiro Machado) de 1987.

Não sei se leste este livro ou sabes do deste fato descrito por Breno Caldas: durante a legalidade, o governo no Estado, através do Governador Brizola requisitou ou encampou, provisoriamente, a Rádio Guaíba para transmitir seus discursos e servir de apoio à causa. Convenientemente, a outra rádio concorrente (Rádio Gaúcha) se prontificou, espontaneamente, para entrar em cadeia com a Rádio Guaíba e também transmitir a Cadeia da Legalidade.

Após o final deste período, Breno Caldas enviou à Brizola os valores referentes aos prejuízos causados pela não veiculação dos comerciais durante o uso de sua rádio pelo governo do Estado, com a descrição minuciosa dos comercias e espaços publicitários não veiculados. A outra emissora também enviou sua conta, porém com valores muito mais altos, embora não tenha sido requisitada pelo Governador, pois havia entrado em cadeia com a Guaíba por iniciativa própria. Ambas foram indenizadas pelo governo.

No final dos anos 70/início dos 80, quando Breno Caldas recebe sua concessão de TV, Roberto Marinho, liga para ele e dizendo "não se meta nesse negócio de TV sem antes falar comigo". Quando a maxi-desvalorização do Cruzeiro atingiu em cheio as dívidas (feitas em Dólar) que Breno Caldas havia feito para montar a TV Guaíba, Roberto Marinho, inimigo do então Governador do Rio (Brizola), novamente entra em contato com Breno Caldas, se oferecendo para ser seu sócio, adquirindo o controle da TV, e dizendo para ele que não se preocupasse, pois em vinte quatro horas a TV Guaíba passaria a transmitir o sinal da da TV Globo, sendo que seria rescindido o contrato com a "outra emissora" local, que por "algum motivo" protegia Brizola.

Como o mundo dá voltas, não achas ?

Um abraço !

Fernando Guimarães

Analista de Sistemas