Hitler e Che Guevara, loucos do século?

Hitler e Che Guevara, loucos do século?

Dificilmente alguém será mais louco do que Adolf Hitler.

Che Guevara seria do mesmo naipe?

Parece algo como comparar Pelé e João da Vaca.

Pelé e João da Vaca têm algo em comum: jogaram futebol.

Pelé era matador. João da Vaca também.

Vaca matava a bola de vergonha.

Mas é a mesma coisa?

Psicopatas não faltam no planeta. Hitler é imbatível. O homem que mergulhou a Europa no caos na sua busca insana pela “arianização” do mundo, matou-se, junto com a mulher, Eva Braun, em 30 de abril de 1945. Eles se casaram um dia antes do suicídio. Hitler não queria seguir o destino do seu parceiro italiano Benito Mussolini, fuzilado, junto com a amante, Clara Petacci, e pendurado pelos pés, numa praça de Milão, para ser malhado pela população. Uma vingança mais do que justa, embora macabra e não recomendada para civilizações. Mais louco do que Hitler, em certo sentido, talvez tenha sido o ditador português Oliveira Salazar, que decretou luto oficial pela morte do “führer”.

Ninguém superou Salazar em bajulação a um monstro racista.

Joseph Goebells, o cérebro da propaganda no universo hediondo hitlerista, matou os seis filhos e suicidou-se, acompanhado pela mulher, em 8 de maio de 1945. Os nazistas não se matavam sozinhos. Queriam companhia no inferno. A máquina de persuasão de Goebbels estava esgotada. O Brasil daqueles tempos tristes teve seguidores convictos de Hitler. O Partido Nazista Brasileiro chegou a ser considerado o maior do mundo fora da Europa. Não era incomum ver suásticas em bandeiras tremulando em prédios brasileiros. Getúlio Vargas mandou acabar com a farra.

Os colaboradores de Vargas que eram simpáticos ao nazi-fascismo não gostaram muito da ideia, mas a ordem foi cumprida conforme os métodos empregados na época. O pau comeu.

Hitler morreu, a guerra acabou, os aliados venceram, o mundo se libertou do pesadelo, mas o racismo continuou. As vítimas preferidas do nazismo foram os judeus, os ciganos e os homossexuais. A extrema-direita francesa, de Jean-Marie Le Pen, entre outras muitas ativas por aí, continua atacando esses três grupos. Le Pen insiste que as câmaras de gás foram um “detalhe” na história da Segunda Guerra Mundial. Por causa disso, foi suspenso pela filha, Marine, da Frente Nacional, partido que ele mesmo criou. Jean-Marie adora um trocadilho racista. Segundo ele, os ciganos “volent” como os pássaros. Em francês, “voler” serve para voar e roubar. Le Pen diverte-se com os processos que enfrenta. Vai morrer racista, convicto e eleito. Numa das suas últimas tiradas preconceituosas em tom de humor, disse que é preciso salvar a aurora boreal e a civilização branca europeia.

Como tantas pessoas puderam ser enganadas ao mesmo tempo por Hitler? Ou simplesmente pensavam como ele e entraram em sintonia? A morte do líder da Alemanha nazista foi chorada por muitos. Houve quem não se convencesse do suicídio. Hitler teria fugido até para o Brasil. Não foi assim. Os russos levaram o que sobrou do cadáver, que teria sido, mais tarde, incinerado. Passados 75 anos, Adolf Hitler reina soberano na condição de encarnação mais absoluta do mal. Ele foi capaz de frases como esta: “Temos de ser cruéis.

Temos de recuperar a consciência tranquila para sermos cruéis”. Conseguiu.

Che Guevara não foi santo. O comunismo que pregava tinha viés totalitário.

Mas nunca soube que fosse racista exterminador, que tenha matado judeus ou outros em câmaras de gás ou que tenha pretendido criar um mundo dominado por uma raça pura. Não uso camiseta com a estampa de Che Guevara.

As biografias que li de Che Guevara mostram um homem com preconceitos e um revolucionário frio, mas não um psicopata determinado a criar uma raça pura. Certas comparações requerem tratamento psiquiátrico.

Não vejo como comparar Che e Hitler.

Che queria, por vias equivocas, criar um mundo livre de toda autoridade.

Hitler quis impor-se como a única autoridade no mundo.

Pelé fez mais de mil gols.

João da Vaca fez dois.

Acho que não são comparáveis.

Colocar Hitler, Che Guevara, Pelé e João da Vaca num mesmo texto é uma façanha.

João da Vaca era ruim. Hitler era perverso.

Todas as comparações falharam.

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895