O ano de 2013 termina como começou: com dois idiotas no meio do caminho. No meio do caminho tinha dois idiotas. Nunca nos esqueceremos desse acontecimento na vida das nossas retinas tão saturadas de imagens estúpidas da sociedade "midiocre". Tinha dois idiotas no meio da caminho, em cima da calçada, à beira do mar, dois idiotas graníticos.
No caso, os dois que picharam a estátua de Drummond no Rio de Janeiro.
Mas foram muitos os idiotas que, ao longo do ano, atrapalharam o trânsito, congestionaram a vida, mamaram nas tetas públicas, enrolaram a população, confundiram mérito com meritocracia, objetividade com ideologia, análise com senso comum e justiça com acerto de contas.
Por sorte, no meio do caminho do planeta tinha também Edward Snowden, Pepe Mujica, Papa Francisco e tantos outros andando na contramão.
Como faço todo ano, embora outros já o façam agora, apresentarei a lista dos ganhadores do troféu Jair Bolsonaro de jornalismo lacerdinha 2013.
10 – Arnaldo Jabor (anda desaparecido o velho reaça. Mas ainda está na ativa. Aparece nesta lista somente por efeito residual)
9 – Lobão (publicou livro, arranjou novas colunas para fazer, mas se limita a repetir um discurso de coronel apaixonado pelo golpe de 1964. Notabilizou-se pela coerência ao criticar Pepe Mujica pela legalização da maconha).
8 – Reinaldo Azevedo (outro que, apesar de novas fontes de renda e de mais espaço para vociferar, continuou a servir seu velho discurso macartista dos anos 1950 temperado com inspirações lacerdistas e fórmulas requentadas)
7 – Merval Pereira (o imortal global atolou-se na sua verborreia lacerdinha, mas não conseguiu uma só página digna de nota. O pior da sua performance é na televisão: não articula três frases que possam ser chamadas de analíticas. Quanto menos explica, mais se consagra)
6 – Miriam Leitão (finge não ser lacerdinha em política, mas exala o seu lacerdismo em economia. Suas previsões jamais se confirmam, o que a torna imbatível. Sempre prevê o caos. Tenta ser melhor anunciando o pior)
5 – Marco Antonio Villa (dublê de historiador lacerdinha e de comentarista lacerdão ganhou destaque por ter mais leituras do que seus concorrentes, o que lhe permite ser reacionário com algum verniz bibliográfico)
4 –Demétrio Magnoli (parecia ter potencial para mais, mas, apesar de ter arranjado novo emprego, não encontrou novas fórmulas reacionárias. Mesmo assim é uma estrela ascendente do jornalismo lacerdinha).
3 – Nelson Motta (correndo por fora, "Nelsinho" produziu algumas das pérolas lacerdinhas mais hilárias do ano: um reacionarismo quase ingênuo, tosco, primário, ruminante, deliciosamente estúpido, avassalador)
2 – Ruy Castro (por trás de uma retórica aparentemente discreta o colunista exala um ranço que se eleva como o cheiro de um incenso vagabundo)
1 –Eliane Cantanhêde (a colunista tucana da Folha de S. Paulo tem-se destacado pela singularidade do seu raciocínio enviesado, mesclado de futilidade com pretensões à profundidade. Chama atenção a sua perseverança, convicção e falta de renovação da abordagem)
Há outros certamente, mas não se me impressionaram. Em se tratando de veículos, Veja mantém a liderança, mas a Folha de S. Paulo tomou o segundo lugar ao Globo e ao Estadão pela política agressiva de contratação de novos colunistas lacerdinhas, entre os quais Reinaldo Azevedo. É possível que aconteça uma fusão ideológica entre Veja e Folha.
Vale à pena também eleger seriamente o colunista do ano: Jânio de Freitas.
Não teve para ninguém.
Nenhum jornalista analisou o julgamento do mensalão como ele.
Um show de lucidez, coerência, equilíbrio e argumentação lógica.