Imperalismo americano e paranoia globalizada
Alguns leitores são fortes em lógica.
Defendem o Irã contra os Estados Unidos em qualquer situação.
Dilma não recebeu Shirim Ebadi.
Fez bem, dizem eles.
Afinal, os iranianos sofrem com o imperalismo americano.
Eu sou fraco em lógica.
O Irã apedreja adúlteras.
O que os Estados Unidos têm a ver com isso?
O Irã executa homossexuais.
O que o imperialismo americano tem a ver com isso?
Outros leitores são fortes em relativismo.
Tudo se equivale.
O cristinianismo é tão machista quanto o islamismo.
Pode ser.
Mas desconheço país que defenda hoje, em nome do cristianismo, que mulheres sejam proibidas de dirigir carros.
Sou muito ignorante.
Nos países cristãos, salvo se me escapa algum, religião e Estado estão separados.
Salvo no Vaticano, o que parece compreensível.
Já no judaísmo e no islamismo não é assim.
Israel tem religião de Estado.
O corão é usado como fundamento constitucional em vários países.
Tento ser relativista.
É minha tendência quase natural.
Mas os muçulmanos nem sempre me parecem muito avançados no tratamento com as mulheres.
Claro, claro, são os fundamentalistas.
Assim como nas sinagogas, salvo nas mais tropicalizadas, mulheres e homens não devem se misturar.
O cristianismo tem seus muitos pecados.
Mas também as suas qualidades, assim como as demais religiões.
Uma delas é se deixar permear pela evolução das sociedades.
Outra é aceitar cada vez mais que religião é uma questão de cada um, íntima.
É isso mesmo: estou dizendo que o cristianismo tem-se adaptado melhor às democracias.
É bem difícil encontrar democracias islâmicas.
Mas nem todo muçulmano é fundamentalista.
A maioria não é.
Assim como nem todo cristão é democrata.
O islamismo já foi exemplo de tolerância.
A minha lógica me faz ter uma única certeza: os Estados Unidos não estimulam execuções sumárias de adúlteras e de homossexuais.
O resto se pode discutir.
Até mesmo se Thor é um bom nome para um filho das elites ou para um pit-bull.