Juremir Machado da Silva

Inter, campeão das contradições

Torcedor deve torcer. Não é mesmo?

Título é para ser comemorado. Não parece?

O Gauchão 2012 tem um gosto estranho.

Gosto de consolação.

A torcida nem correu para o estádio.

Até o Caxias fazer o gol o jogo parecia não ter a menor importância.

Felizmente o time da Serra fez ver que, para o Inter, algo pior poderia acontecer.

O segundo tempo foi um delicioso paradoxo.

D"Alessandro e Dagoberto, que alguns queriam ver no banco para sempre, mudaram o jogo.

O primeiro gol, porém, veio dos pés de Sandro Silva, fazendo a mídia gaúcha vibrar.

Gol de volante.

Nada melhor, no estado mais retranqueiro do Brasil, que poder coroar um volante como símbolo de um campeonato.

Ainda que o Inter só tenha vencido quando jogou o time para a frente, meteu mais um atacante e ousou.

O melhor de tudo é estar livre da Libertadores, que seria perdida certamente mais adiante, e poder, enfim, dedicar-se inteiramente ao mais importante, difícil e delicioso campeonato do mundo, o Brasileirão, que um clube como o Inter deve ganhar a partir das primeiras rodadas, quando os outros grandes estão voltados para outras disputas.

Meu sonho é ver o Inter ganhar o Brasileiro de pontos corridos.

Além disso, o Brasileiro é caminho mais curto para Libertadores.

Dá o maior número de vagas.

O Inter só foi à Libertadores pela Copa do Brasil uma vez.

Enfim, enfim, não são assuntos para um dia de título?

Por que não?

Melhor não perder tempo.