Juremir Machado da Silva

Intolerância, racismo e infantilidade

Intolerância, racismo e infantilidade

Um torcedor jogou casca de banana no gramado para agredir Neymar no jogo entre Brasil e Escócia.
Triste, muito triste.
Prova de que o Velho Mundo ainda não se renovou completamente.
Triste, muito triste.
Ainda mais que no Novo Mundo coisas semelhantes, ou piores, acontecem.
Neste Brasil do futebol e da mestiçagem, onde todas as cores se confundem, há discriminação racial.
Sim, infelizmente, há.
E muita intolerância. Às vezes, por infantilidade ou imaturidade.
O jovem da banda Restart, uma das mais admiradas pelos adolescentes, pisou na bola ao falar em tom pejorativo da população do Amazonas. O rapaz disse que não sabia se havia civilização por lá e que adoraria cantar no mato.
Provocou ira e tumulto.
O show do grupo em Manaus teve de ser cancelado.
De onde vem essa constante tendência ao preconceito?
Que fenômeno terrivel! Quanto mais o combatemos, mais ele ressurge.
Por vezes, tapamos o sol com a peneira.
Chamamos de brincadeira o que tem cara e forma de preconceito.
Achamos que a "brincadeira" só é preconceito quando feita pelos outros.
Sem saber, ou fingindo não saber, estamos alimentando a serpente no ovo.
Ficamos chateados com as castrações do politicamente correto e queremos mais liberdade para fazer humor, zombar, zoar, brincar, jogar com as palavras, "tirar sarro", né?. Acabamos jogando com as vidas.
Moralismo? Dificilmente.
Estamos precisando de um leve choque de moralidade para que jovens de uma banda como Restart não transformem um "capital simbólico" tão rico, o apreço de tantos jovens, em gols contras.
Talvez seja um exagero mudar a lei do "atirei o pau no gato".
Mas é, com certeza, hora de deixar o bichano em paz.