Ontem, postei o texto abaixo. Houve alguma reação de leitores. Ainda muito tímida. O meu projeto de aposentadoria continua. Sem, ao menos, 200 comentários a este post, prometo que meus inimigos ficarão felizes: pendurarei as chuteiras. Vou comprar um sítio em Palomas. Aceito qualquer coisa, menos perder para um chato como o Paulo Santana (aquele apóstrofo é de numerologia). Estou dando uma oportunidade aos meus oponentes. Aproveitem! Sou também um reles chantagista. Fiquei emocionado com alguns dos comentários apiedados. A compaixão é importante na vida.
Todo mundo sabe que eu sou invejoso. Confirmo. Tenho inveja de quem ganha prêmios e de quem tem muitos leitores. Tenho inveja de bruxo, de vampiro e de lobisomem. Tenho inveja do Paulo Santana e do William Bonner. Fiz as contas. O meu número de leitores aumentou dez vezes. Agora tenho 190 leitores. Esse número expressivo me garante facilmente o lugar de colunista menos lido do planeta. Nos últimos anos, passei a ser escancaradamente sincero. Digo tudo o que penso. Por exemplo, sou a favor dos professores da rede pública.
É uma causa perdida. Todo governo dá uma paulada nessa turma que já virou saco de gatos e de pancadas. Bater no magistério é moleza. Acho que os professores apanham de graça da mídia conservadora. Outro dia, escrevi um texto defendendo o magistério estadual de mais um plano da governadora Yeda Crusius. Achei que tinha arrasado: quatro pessoas postaram comentários. Paulo Santana (recuso-me a escrever aquele apóstrofo de folhetim de capa e espada), na concorrência, fez o contrário. Saudou o moderno e sensacional projeto do governo. Teve 188 comentários. Morri de inveja. Yes.
Pensei em cortar os pulsos. Isso é que é ter leitura. Boa parte dos comentários, que me dei o trabalho de analisar por pura inveja, era de professores. Fiquei numa sinuca de bico: será que os professores gostam de levar bordoadas? Ou só estavam reagindo a um ataque? O pior era encontrar professor na rua e ouvir: “Viu o que o Santana escreveu hoje?” Não, não tinha visto. Fui obrigado a ver. Um amigo me disse: “Não fala desse assunto. Não passa recibo”. Eu passo. O amigo insistiu: “Vão dizer que tu só defendes os professores por demagogia, para ter leitores”. Até poderia ser. Tem muita gente que escolhe um nicho e vai em frente. Mas eu creio no trabalho dos professores. Sou purista. Atuo de graça.
Purista, mas invejoso. Os 188 comentários ao texto do Santana me fizeram parar e pensar. Considerei a possibilidade de encerrar a minha carreira. Estou velho e alquebrado. Tenho dor no ombro, erro gols de dentro da área, boto meia em tarde verão, vejo televisão domingo à noite. Sinto a aposentadoria se aproximar. Por que não antecipar o final da carreira. Sair por cima como fazem alguns jogadores de futebol. Afinal, nunca estive tão prestigiado: 190 leitores. O caso se agravou quando consultei outros blogues. Até André Machado, que eu não conhecia, recebeu 24 comentários a um post. Eu nunca passei de 16. Em geral, tenho de dois a quatro. Peguei a faca do pão. Sou um fracasso. Tenho 380 seguidores no twitter. Meu fake tem mais de mil. Nunca consigo supera-lo. Ele é muito melhor que eu. Tento acreditar que os comentários aos meus textos são poucos, mas qualificados.
Abri um vinho francês. Seria o último. Foi nesse momento que vi uma correspondência. Uma prestação de contas do meu livro Solo: 897 exemplares vendidos em dois anos numa tiragem de três mil. Um solene encalhe. Até que vendeu muito considerando que é o pior romance brasileiro dos últimos 20 anos. Agarrei a faca do pão. Tomei um gole do vinho. Era um Bordeaux, presente do Patrick Tacussel, “grand cru”, safra 2006. Bebi. Bom demais. Desisti de parar. Desisti de me matar. Tenho uma má notícia: vou continuar escrevendo. Os ruins também merecem um lugar ao sol. Serei mais clemente até com o Alecsandro. Ficarei longe do blogue do Santana. Oui, oui, a vida continua!