Juremir Machado da Silva

Jack Kerouac, Gore Vidal e os brasileiros

Parabéns a a Walter Salles.

Não é fácil fazer o que ele fez.

Uma façanha.

Pegou o luminoso livro de Jack Keroauc, uma obra-prima, um texto solar, e o destruiu.

Transformou uma narrativa brilhante num filme escuro e árido.

Contou para isso com a colaboração de atores crepusculares e vampirescos.

Um feito.

Um dos piores filmes dos últimos anos.

Brasileiros podem ser perigosos.

Morreu o extraordinário escritor Gore Vidal.

Foi um craque da ironia, da reconstrução histórica e da demolição de mitos.

O brasileiro Paulo Francis queria ser como ele.

Teve muito espaço.

Terminou como um reacionário, racista e histriônico.

É incrível a capacidade da mídia carioca e paulista de produzir novos larcedinhas.

O último em data é um tal Pondé.

Tem a qualidade no chute de um Jajá nos seus piores dias.

Um dos seus mais requintados pensamentos filosóficos é: mulher gosta mesmo é de dinheiro.

Com que mulheres ele deve ser relacionar, hein?

É de tirar o chapéu: que fineza, que perspicácia, que penetração, que profundidade psicológica, que extraordinária capacidade de provocação, que  virada analítica, que fantástica compreensão dos mecanismos comportamentais, que asneira!

Gore Vidal não teve o desprazer de ler essa gente.

Sabia esmagar conservadores e moralistas de cueca como quem mata uma pulga.

Em 1948, em "A Cidade e o Pilar", botou o homossexualismo na roda, chocando as amebas intelectuais.

Bissexual assumido, sem passar a vida escondido no armário nem lamentando a decadência da civilização dos machos,  voltou a botar a sexualidade na roda 20 anos depois, com o mordaz  "Myra Breckenridge.

Morreu um grande americano.

A polêmica está de luto.