Juremir Machado da Silva

Juremir tropeçando na floresta

Juremir tropeçando na floresta

Ninguém é obrigado a saber tudo, nem mesmo no que diz respeito à sua própria área de atuação. Mas ainda temos a tendência de ficar chocados quando um escritor derrapa justamente naquilo que deveria ser a sua especialidade, ou seja, o real sentido das palavras. E foi justamente num texto em que brincava com o sentido que as palavras assumem em certas ocasiões, que Juremir Machado da Silva, o nosso Dias Gomes, derrapou. E feio.
Dias Gomes, já escrevi certa feita, foi o autor de telenovelas que ajudou a consagrar no imaginário popular a figura do fazendeiro como um sujeito arrogante, cruel e sem coração, com criações como o “Sinhozinho Malta”. Os textos de Juremir, quando desanda a falar sobre produção rural ou sustentabilidade, são povoados de Sinhozinhos e coronéis da literatura que já não encontram mais correspondência no mundo real há muito tempo. Mas ele insiste em descrever a polêmica do Código Florestal como uma batalha entre os “mocinhos” da ecologia e da sustentabilidade contra os “vilões” do agronegócio. Os Santos Guerreiros de Glauber Rocha contra o Dragão da Maldade da CNA.
Entretanto, sua visão mítica é apenas isto mesmo; um amontoado de mistificações e falsidades. Sugerir que o deputado Aldo Rebelo, por exemplo, esteja sendo patrocinado pela Coca Cola para defender o Código Florestal, é uma idéia confortável para sua visão ideológica, porém equivocada. A Coca-Cola, na verdade, é financiadora do Greenpeace, e outras ONGs sediadas na União Europeia, não por acaso nossa principal concorrente de commodities, e cuja pressão é exercida pra fazer da legislação ambiental brasileira uma forma de engessar a crescente produção nacional. Da forma como está, o Código torna ilegal até mesmo as plantações de uvas de Caxias. Duvido que o escritor Juremir dispense um bom vinho serrano. Ou talvez prefira os vinhos da Paris que tanto visita, onde, por acaso, não existem áreas de preservação permanente na agricultura.
Que fique bem claro: produtor nenhum é contra a preservação ambiental. É do meio ambiente que o produtor extrai a própria sobrevivência, e foi o produtor brasileiro quem desenvolveu no Brasil tecnologias ambientalmente corretas, como o plantio direto e os transgênicos, que todo mundo criticava há oito anos, e agora ninguém fala nada.
Se o nobre Juremir buscasse conhecer iniciativas ambientais da CNA, como o projeto Biomas, talvez revisse sua opinião sobre a entidade, que financia técnicos da Embrapa para ministrar técnicas ambientalmente corretas de uso do solo para o agricultor brasileiro. Ambientalismo e produção conjugados na prática, sem conversa mole de ongueiros rosseauistas.

Tarso Francisco Pires Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel
Vice Presidente da Farsul