Juremir Machado da Silva

Leitor defende Arruda

Leitor defende Arruda

Tu ja viu Agora (ágora), filme espanhol? É a respeito de algumas raízes do mal, historicamente já bem desenvolvidas. O cenário: biblioteca de Alexandria, a destruição dos "livros" dela e sua transformação em estábulos... Quem sabe, depois, uma leitura de Richard Dawkins e Dan Dennett sobre o assunto do filme?Talvez recomende a todos os amigos, ou pelo menos aos estudantes.
Com referência ao "A Fita Branca", de acordo.
Pedro Bon

Juremir!

Eu sou de Três Passos e não tenho como ouvir a guaíba pelo rádio. Tu poderias me informar o horário do programa do qual tu participa?

Parabéns pela acidez de sempre! Ri hoje quando escreveste que te cobram imparcialidade, sendo que tu está na seção e opiniã do jornal! Tem cada um!

Continua assim!

Abraço!

André


Oh Juremir, realmente os leitores atentos vêem tudo isso escrito por você. E mais: uma pessoa sensível que merece todo respeito.
Um abraço.
Mara Paulina/ www.mp-arruda.zip.net

Cidreira, 12 mar 2010
Caro Professor Juremir Na condição de seu assíduo leitor, permita-me manifestar o que segue:
Comoveram-me as palavras da Sra. Flávia, esposa do ex-governador Arruda citadas em reportagem do Correio do Povo do dia 11 do corrente. Em lágrimas, ao se retirar da prisão onde fazia visita ao marido, confessou ao repórter que não se surpreendera com as imagens divulgadas de seu esposo recebendo propinas, porquanto sabia que aquilo era prática comum no meio político. Disse textualmente: “Sei que todo o mundo recebe e que a política no Brasil é assim. As pessoas precisam receber dinheiro para a campanha”, justificou. Talvez devesse dizer que “a política é assim, no Brasil, nos Estados Unidos e na maioria dos países que elegem seus governantes através do voto”.
Já decorreu largo tempo, desde a revelação pública da existência do “Caixa 2”, dentro do processo eleitoral. O PTB foi o primeiro partido a enfrentar o problema e teve que contar com estratégias do Deputado Roberto Jeferson, que na condição de advogado e criminalista começou descrevendo o ambiente do crime. Assegurou que um deputado precisa de, no mínimo, R$ 1.500.000,00 (um milhão e meio) para conseguir se eleger e explicou o que tinha que explicar. Os capítulos que integravam a novela eram revelações próprias do palco onde se desenvolvia o drama. Surpreendentemente, o tema se transformou num enredo de dimensões inacreditáveis, deixando transparecer que chegara a hora do juízo final.
A mídia se ocupou do assunto por longo tempo. A afirmação de que um Deputado necessitava de, no mínimo, “Um Milhão e Meio” para sua campanha foi parar nas entrelinhas do discurso. Prevaleceu a discussão sobre o “Caixa Dois”, que, na seqüência, envolveu outros partidos e muitos dos críticos se transformaram em criticados.
Hoje, os bastidores do Congresso debatem a reforma política – que não sai. Não sai porque não há como ocultar doador e doações e, ambos, precisam permanecer ocultos para poder selar futuros interesses. É muito fácil de compreender. É um caso em que a Lei não consegue impor a ordem e, a ordem está contida na viabilidade eleitoral que só pode existir ao ritmo da propina.
O ex-governador, Arruda, cometeu um erro crasso. Foi traído e flagrado tomando os mesmos maços de dinheiro mencionados por Roberto Jeferson como indispensáveis para o partido eleger seus candidatos. Comentar sobre desmandos e exageros no interior da administração da propina é persistir em aplicar o moralismo de estampa, próprio de pessoas que lucram com este tipo de debate, porque não têm o menor interesse em interpretar o cinismo que cerca os atos da nossa maldita maneira de esconder o óbvio.
Num ponto, concordo com a punição do ex-governador. Foi justa porque a distribuição da propina não foi feita sob cuidadoso manejo da administração do “caixa dois”. Além disso, ele também deve ser punido por atuar num partido de ricos, não tendo o direito de alegar desconhecimento do modo de como os canais da distribuição, endereçam a riqueza sempre para os mesmo destinatários. Ele foi desonesto ? - Não! Apenas foi desprecavido e azarado. .
Ass: Engib. – Rua Nordeste, 752
Cidreira/RS