Juremir Machado da Silva

Libelo contra grandes livrarias

Todo ano, em setembro, tentando contribuir para a intensidade dos festejos farroupilhas, eu me pergunto:

  1. Por que as livrarias Cultura, Fnac e Saraiva não colocam meu livro História regional da infâmia, o destino dos negros farrapos e outras iniquidades brasileiras, em pilhas nas suas lojas de Porto Alegre?

  2. Aliás, eu me pergunto sobre certas livrarias muito mais: por que um livro editado em Porto Alegre precisa ser comprado por São Paulo para ser vendido na capital gaúcha?

  3. Por que meu livro Corruptos de estimação, que já está em segunda edição, não figurou jamais nas estantes de novidades dessas grandes livrarias de Porto Alegre?

  4. Não discuto minha insignificância, cuja enormidade é atestada por qualquer um. Mas, dado que sou obrigado a responder dezenas de e-mails diários sobre onde encontrar meus livros, fico com a impressão de que uma boa resposta seria "nas livrarias" dos shopping.

  5. Faz muito tempo que desisti de livrarias. Compro pela internet. Vendo em palestras e nas ruas. Grandes livrarias cobram caro, só se interessam por best-sellers aguados e autoajuda e tratam livros como sabonetes.

  6. As livrarias me ignoram. Eu não as frequente. Salvo, por esnobismo, em Paris.

  7. Meu ressentimento é ilimitado. Não faço questão de escondê-lo. Maior do que meu ressentimento, só minha inveja. Sou incorrigível. Nada mais me salva dessa mágoa que me transforma num ser desprezível.

  8. As grandes livrarias só leem a Veja.

  9. O Brasil é bizarro: editoras colocam preços exorbitantes em e-books, cujo custo de produção é mínimo.

  10. Por que falo isso? Só para implicar. Obviamente.ImagCavalo