Juremir Machado da Silva

Liberar ou não as drogas?

Liberar ou não as drogas?

Achei muito interessante o debate sobre a descriminação do uso de drogas no programa de hoje (Bom-Dia, Rádio Guaíba, de Rogério Mendelski).

Dado um raciocínio desenvolvido pela maioria dos debatedores, o único problema relativo a droga é o narcotráfico. Se alguém usa drogas ou não, o usuário em si, ele não é problema. Cheguei a conclusão que deve ser uma ilusão coletiva que o uso de drogas como a cocaína e crack torna o sujeito valente, faz perder qualquer referencial de perigo iminente, além de deixá-lo hiperativo (ao contrário da bebida, que em excesso deixa qualquer um em pouco tempo fora de combate, a cocaína ou crack deixa o sujeito cada vez mais ligado). Sem contar o vício, é claro, que destrói famílias, aumenta a violência familiar, etc.. Parece que liberar as drogas vai também eliminar o vício, é o que se deduz das várias manifestações dos debatedores, para os quais só se usa drogas porque é proibido. Não fosse, ninguém usaria. Estranhamente, bebidas são liberadas, e mais estranhamente, segundo esse raciocínio, muita gente bebe até cair, e há tanta gente com vício em álcool que existem os alcóolicos anônimos. Vai ver que com a cocaína e o crack, por uma mágica divina, vai ser diferente.

Outro argumento que é de arrepiar é que já que a repressão às drogas "não deu certo", então o melhor é liberar, afinal há muitos que consomem drogas mesmo com a repressão. Estendendo esse raciocínio (o Reinaldo Azevedo escreveria diferente (eh eh eh), e o Emir Sader escreveria "racioçínio"), poderíamos descriminar o crime (me perdoem o paradoxo), afinal, o crime sempre foi reprimido e mesmo assim há quem insista em roubar, estuprar, matar, etc. E lembremos que existem os reincidentes no crime e sempre estão surgindo novos criminosos! Então, para "resolver" o problema, vamos descriminar o crime! Segundo o raciocínio (o Reinaldo Azevedo escreveria diferente (eh eh eh), e o Emir Sader talvez escrevesse "raciossíneo"), já que não seria mais proibido matar, roubar, estrupar, furtar, etc., certamente ninguém mais o faria, afinal, só se comete crimes porque é proibido, não é mesmo? Segundo um raciocínio correlato, desenvolvido no programa, também acabariam as mortes envolvendo criminosos, afinal nem precisaríamos de polícia, os assaltos correriam dentro da maior normalidade, já que os bandidos não teriam a polícia para trocar tiros. Isto é, SE acontesse algum crime, afinal, pela teoria, os crimes deixariam de existir, pois não haveria repressão. E já que falamos de drogas... Por que o programa não passa a exigir a liberação completa dos medicamentos, incluindo os de tarja preta? Se para cocaína é certo, porque não para morfina ou Valium?

Eu, como sou MEIO desconfiado dessas teses, gostaria que já que as drogas vão ser liberadas (apesar da tese "genial" de que aí ninguém mais vai se drogar, afinal deixaria de ser proibido), que se liberasse o uso livre de armas. É só para o caso de, se por algum milagre aparecer um drogado (coisa que lembro sempre que pela tese do programa magicamente desapareceriam com a liberação das drogas) na minha frente, completamente fissurado e disposto a tudo porque não tem mais dinheiro para ir na farmácia comprar crack, que eu possa me defender dando-lhe um tiro na cara. E que também se modifique a lei para que, se feito o exame do cadáver no IML, e comprovado que era usuário de drogas, que qualquer um submetido a essa situação seja absolvido do crime por legítima defesa da própria vida. Mas não se preocupem, afinal, esse tipo de situação JAMAIS vai ocorrer, pois sabemos que quanto maior a oferta de qualquer produto, maior o preço e menor a procura. Uma nova lei "básica" da economia... Um tal de Adam Smith achava o contrário, mas deve ser um idiota!

Talvez alguém mais adiante concorde com esse tal de Adam Smith, e diante de um aumento exponencial do uso das drogas, resolva tabelar e aumentar, ou talvez colocar uma "tarja preta" nelas, mas estranhamente, talvez isso estimule o... tráfico! Que coisa...

Fico só pensando o que é que a maioria dos países civilizados estão esperando para implementar essa "plêiade" de idéias...

Att;
James Masi Dressler