Liberar ou não as drogas? (2)
Se possível gostaria que esse novo e-mail e o anterior (logo abaixo) chegassem a Helen. E que ela, se quiser ler, por favor leia primeiro o que mandei na quinta e depois o da sexta.
Sobre a continuidade do debate no programa de sexta-feira fiquei um tanto perplexo com as "explicações" das posições da Helen por ela mesma. Então, vamos lá:
1) Disse que era a favor da descriminação mas não da liberação, que o objetivo da descriminação era acabar com o narcotráfico. Comento: bem, se há a descriminação apenas do usuário (e ele JÁ existe, se o sujeito é pego com pouca quantidade não vai para a cadeia sob a desculpa de que é para uso próprio), porque isso acabaria com o narcotráfico, se continuará sendo proibida a venda? Essa descriminação do uso já existe e o tráfico e o consumo só aumentam! Então, só posso entender a descriminação como a do usuário e a do traficante, ou seja, a venda de drogas seria livre também.
2) Disse que era a favor da descriminação (seja lá o que isso signifique para ela, diferente do exposto acima) mas que essa "política" deveria vir acompanhada de "outras políticas". Só faltou dizer quais. Ficou parecendo que, acuada pelo raciocínio do Rogério, mostrando que a descriminação só pode significar liberação do consumo e da venda legalizada, ela deu uma explicação qualquer: "outras políticas", provavelmente mágicas, que tenham o dom de fazer que o consumo diminua e não se aumente exponencialmente. Gostaria que a Helen, na segunda-feira, apresente ao menos três políticas a serem aplicadas. Eu já me adianto, porque sei que uma delas será:
- assistência médica no SUS aos drogados.
Pergunto: hoje já existe essa assistência médica aos drogados, e faltam leitos para os doentes de câncer, pneumonia, etc. pois a grande maioria de leitos estão tomados por viciados em crack. Vemos essa notícia seguidamente nos jornais. Para um sistema que já é deficiente, vamos inundar o SUS de mais dependentes de drogas do que já temos hoje, porque sem dúvida, acho que qualquer um compreende que sendo mais fácil o acesso às drogas, mais drogados haverá.
Por favor, entre as políticas a serem apresentadas, nada que restrinja o consumo ou venda, já que sabemos que isso estimularia (como com qualquer outro produto) o tráfico, que é o problema único que temos em relação às drogas, idéia essa afirmada e reafirmada pela própria Helen, já que ela não se importa se o consumo de drogas vai aumentar ou diminuir, ela mesmo disse na sexta que acha que tem que "descriminar" o uso de drogas, mas não sabe se o consumo vai aumentar ou diminuir, logo, para ela, esse não é um fator relevante.
3) A certa altura, Helen disse que não sabe se a descriminação (seja lá o que isso signifique para ela diferente do exposto acima) vai fazer aumentar ou diminuir o consumo de drogas. Certamente, ela não tem ninguém na família usuário e acha que ninguém próximo a ela corre o risco de se tornar usuário, então isso não é problema para ela, pode aumentar o consumo que não vai me afetar. Até que ela se encontre com algum viciado desesperado numa esquina, em que ele vai tentar levar o carro dela para conseguir mais pedras de crack. Aí, ela vai se dar conta de como talvez seja importante que o consumo não aumente.
Vale para qualquer coisa que eu escrevi aqui: ouvi muito bem o que foi dito no programa, não adianta dizer que "mas eu não disse isso". Está gravado, sugiro que quem ache que não disse, que ouça novamente a sua participação. Por exemplo, a Helen disse que não era a favor da liberação das drogas (só da descriminação, seja lá o que isso signifique para ela) mas enquanto o Juremir dizia na quinta-feira que era "a favor da liberação das drogas (tanto uso quanto venda), que cada um sabia de si, que se quisesse comprar e se drogar livremente, problema dele", ela não esclareceu em nenhum momento em que não era a favor disso, que era a favor só da descriminação (seja lá a diferença que ela enxergue entre uma coisa e outra, conforme já expliquei acima), ao contrário, fez coro concordando integralmente com o Juremir. Se ela fez a distinção, pode me enviar o trecho do programa de quinta-feira em que ela faz essa distinção. Serei o primeiro a me admitir como "analfabeto funcional", embora estivesse apenas ouvindo e não lendo. Me admitirei apenas como burro, acho que fica melhor.
Att.
James Dressler