A atriz Luana Piovani levou uma maçã ao ponto mais perto que alcançou, em Curitiba, da prisão de Lula. Ela disse que durante três anos sonhou com isso. Com levar a maçã? Não, com a prisão de Lula. Era uma promessa. A moça é de palavra. Pagou o que devia. Luana é um enigma. Costuma ser cáustica nas suas postagens nas redes sociais. Os estudiosos de simbologia terão de se debruçar sobre o gesto da celebridade. O que ela quis dizer com essa maçã? Tentar Lula não deve ter sido. Apresentar-se como a serpente é pouco provável. Ela está sendo chamada de víbora por adeptos do ex-presidente. Mas dificilmente terá pago a promessa apenas para ser insultada.
O que pretendia?
Terá Luana, por meio de uma complexa cadeia de associações, insinuado com a maçã que Lula é a serpente, imagem clássica do mal? Engajada, ela pretende afastar o cálice da seletividade. Depois da maçã para Lula, espetou: “Agora que venha Aécio, Temer, Renan, Perrella, Gleicy e tantos outros”. O curso intensivo de português em Portugal precisará ser retomado. Mal menor. Por que mesmo a maçã? Eis a questão. Essa fruta aparece muitas vezes associada a manifestações de carinho. Alunos costumam levar maçãs para seus professores. A maçã da Luana representa o ódio. Não está em discussão a legitimidade desse sentimento experimentado por ela em relação ao ex-presidente. O intrigante é a maçã.
Por que não um abacaxi, uma uva ou uma jaca?
Será Luana uma seguidora do filósofo René Descartes, o homem do método e da clareza de raciocínio, que teria dito: «Se tiver um cesto de maçãs das quais várias estão podres e, por isso, envenenam o resto, que fazer senão esvaziá-lo todo e retomar as maçãs uma a uma para voltar a pôr as boas no cesto e deitar as más para o lixo...» Lula seria a maçã podre a ser retirada do cesto para salvar a colheita? Outra hipótese é que Luana seja leitora de Hans Kelsen, para quem o papel do jurista é colher as maçãs maduras a partir de critérios científicos sem entrar em considerações de gosto e sabor. Estaria Luana com a maçã reforçando a ideia de que a prisão de Lula é técnica?
Nas redes sociais o machismo correu solto. Até mulheres chamaram Luana de vaca e outros termos incompatíveis com a natureza política de sua manifestação. Há quem veja na maça da Luana uma referência à grandeza e decadência dos poderosos: tudo o que sobe tem de cair. Terá Luana lido esta passagem num livro erudito: “É possível no Ser a maçã, como é, nele, esta maçã. Temos assim o possível eidético e ôntico. Esta distinção entre as possibilia já a fazia Tomás de Aquino. Atualizadas as maçãs, a maçã como possível eidético permanece no poder do Ser”.
Se Luana leu e entendeu, nos explique. Eu fiquei devendo.
Enfim, são muitas as “possibilia”. Há quem garanta que a explicação para a escolha da maçã por Luana Piovani é psicanalítica. Ela estaria confusa entre ser Branca de Neve ou a rainha malvada. Nessa confusa história, haveria um desejo recalcado de beijar o sapo para que ele voltasse a ser príncipe? Só os especialistas dirão.