Luiz Inácio em Cuba
Nunca é demais um passeio no paraíso.
Tropical.
Se a classe média não vai ao paraíso, seu líder vai.
Primeiro os eleitos. Pelo voto popular.
Luiz Inácio vai a Cuba. Faz sentido. Ele tem amigos lá. É admirado, respeitado, adulado e até endeusado.
É fácil ter velhos amigos em Cuba. Especialmente no poder. Eles estão sempre lá. São sempre os mesmos. E não falta assunto. Basta começar com um “lembra daquele tempo...” É uma turma que entende tudo de nostalgia.
Luiz Inácio é um guri que faz sucesso lá com suas travessuras, piadas, bravatas e anedotas de capitalistas.
Concorre com Hugo Chávez. Ora um ora outro leva vantagem nessa disputa pelo amor dos líderes cubanos.
E o povo? O povo tem mais o que fazer. Ou menos.
Chávez faz mais o estilo revolucionário. Usa farda quando bem entende (no Brasil o único que faz isso é o ministro Nelson Jobim). Hipnotiza a massa com discursos.
Luiz Inácio faz outro tipo. Tem estilo mais maleável. Brinca, seduz, joga, passa a mão na cabeça.
O pepino é que 50 presos políticos assinaram um documento pedindo a Luiz Inácio que interceda por eles.
Querem somente liberdade. Nada mais. Querem poder dizer o que pensam a qualquer momento e em qualquer lugar. Os irmãos Castro consideram isso atentatório.
Julgam que é fazer o jogo do inimigo. O Lobo Mau mora ao lado. Uiva alto. Sempre mostra as garras.
O abacaxi é que Luiz Inácio é um defensor dos direitos humanos. Esse é o seu charme internacional. Nos fóruns chiques, fala em nome dos excluídos e sem voz.
Vai pipocar? Vai amarelar? Vai fugir da raia?
Cuba tem 200 presos políticos. Os demais morreram no mar, fugiram para Miami ou pereceram em casa mesmo.
O rolo é que Luiz Inácio está naquela do cobertor curto. Não pode engrossar o discurso da direta nem reforçar o autoritarismo da esquerda. Precisa jogar.
Poderia, talvez, fazer duas coisas ao mesmo tempo, bem ao seu estilo malemolente e jeitoso: pedir a Castro a libertação dos presos políticos cubanos, e a Obama o fim do embargo econômicos que sufoca a Ilha há décadas.
Pode ser uma boa jogada de marketing. O resultado seria nenhum. Castro não cederá. Obama tampouco. O efeito, porém, teria o valor de uma boa metáfora. É tentando que não se consegue. Meus sentidos são muito seletivos. Não me lembro de ter ouvido um só discurso consistente de Luiz Inácio contra a política repressiva cubana. Fiel (não só ao Timão) ao seu espírito tolerante Luiz Inácio deve preferir não chutar cachorro morto. Os prisioneiros, no entanto, precisam de ajuda. É verdade que boa parte das críticas a Cuba, em nome da liberdade, é puro oportunismo. Uma maneira de fustigar as esquerdas.
Cuba devia ser tombada pelo patrimônio histórico mundial. E conservada intacta. Daria um espetacular parque temático do comunismo. Já é isso que os turistas do capitalismo procuram por lá. O problema é que tudo isso corre o perigo de acabar. Alguém precisa salvar essa espécie em extinção, a única da América Latina. Outra possibilidade seria transformar Cuba numa reserva.
Luiz Inácio saberá o que fazer.