Andei pela ruas de Porto Alegre agora de manhã.
Fui abordado por pessoas em êxtase.
– Prenderam o ladrão, prenderam o Lula!
Havia felicidade brilhando nos olhos das pessoas.
Um orgasmo se insinuando em cada sorriso.
Uma espécie de catarse.
Por quê?
Nenhuma pessoa decente condena combate a corrupção.
Mas é triste ver o país atolado na podridão.
Por que tenta alegria? – pergunto
– Porque o país vai ser passado a limpo – diz um homem.
É uma boa resposta. Vai mesmo? Encontro um petista desolado:
– O PSDB nunca se deixou investigar e por isso nunca foi condenado.
Não é uma boa defesa. Os possíveis erros tucanos não absolvem os crimes petistas.
O observador sem ódio constata que o Brasil está no fundo do poço. Se tivesse uma liderança forte, transparente, límpida, serena e confiável, o governo Dilma, que morreu ontem, depois de longa agonia, não duraria mais três semanas. Mas o Brasil está acéfalo, com todos os presidentes de poderes atolados.
Só alguém muito ingênuo ou ideologizado para acreditar nas alternativas disponíveis.
O PT está merecendo o seu calvário.
E o Brasil?
O Brasil cheira mal.
Tudo parece confuso. Em 1954, contra Getúlio, aconteceu a República do Galeão.
Por que levar Lula para Congonhas? Simbolicamente é gol contra.
Da República do Galeão à República de Congonhas?
Alimenta o imaginário de que há golpe no ar.
Ou só há ignorância?
Há uma manifestação contra o governo marcada para 13 de março, dia do Comício da Central do Brasil, em 1964. Escolher esse dia significa associar o movimento a 1964. Por quê? Por ideologia?
Tudo isso é menor.
O mundo lê as manchetes: Lula detido.
O mito toma um tranco.
Sobreviverá?
Parece ser apenas o começo.
Nas ruas, parte da população em orgasmo.
O país vive uma guerra civil simbólica.
O petismo chafurda na sua lama.
Precisa ser enterrado.
Melhor seria enterrar tudo e começar de novo do zero.
Essa hipótese nunca existe.
Viveremos a restauração do Antigo Regime.
O novo, depois de alguns anos florescentes, afundou-se numa podridão repetitiva.
Era mais do velho.
Virou caso de polícia.
Não há mais páginas política.
PT: 1980-2016.
Aqui jaz.
Poderá retornar como farsa, tragédia ou tragicomédia.