Juremir Machado da Silva

"Máfia do dendê" e tropicanalha

"Máfia do dendê" e tropicanalha

Tropicanalha e dendê
Ninguém escapa à sua brasilidade.
Gilberto Freyre, em Casa Grande & Senzala, já mostrava que a família explica o Brasil.
A ministra da Cultura é a irmã de Chico Buarque, sua credencial maior.
Caetano Veloso, colunista de O Globo, saiu em defesa da irmã, Maria Bethânia, que, segundo ele, está sendo vítima do ressentimento dos internautas e da maldade da Folha de S. Paulo e da Veja nessa história de lei de incentivo.
Caetano roda a baiana. Solta veneno contra todos os que atiram na “máfia do dendê”. Sobra para o jornalista Ricardo Noblat, cujo filho foi autorizado a captar mais de R$ 900 mil para um projeto cultural. Sobra para o global Edney Silvestre, cujo livro perdeu para o do Chico Buarque no Prêmio Jabuti levantando labaredas contra os privilégios do cantor.
Furioso, Caetano acerta por razões erradas: diz a verdade sobre Veja e Folha de S. Paulo, duas publicações cada vez mais enterradas na mediocridade satisfeita e no neocinismo insatisfeito.
Cita Nietzsche para “defender os fortes dos fracos”. Denuncia uma espécie de racismo contra a Bahia.
Viva a bossa! Viva a racionalização! Viva a velha nova nação!
Caetano é José Sarney, cangaceiro senador, defendendo a família. Garante que Bethânia ia ler poemas em favelas. Por quê? Os favelados não pediram nem precisam de Bethânia lendo poemas. Deixem os favelados em paz. Eles produzem o que há de mais criativo na música brasileira. Abaixo as leis de incentivo. Elas só servem para financiar gente que não precisa: Gal Costa vai pegar uma beirinha. Virou gandaia musical. Tem gente enchendo os bolsos. Só pode ser piada: lei de incentivo para os famosos. Lei de incentivo para Erasmo Carlos, Zizi Possi, Marisa Monte e Maria Rita?
Fala sério! Roupa suja se lava na mídia.
Como já disse um leitor, a tropicália virou tropicanalha. O resto é pura bandalha.