Juremir Machado da Silva

Mais polêmica sobre a mudança do código florestal

Mais polêmica sobre a mudança do código florestal

Preconceito na Floresta Um dos temas estratégicos para o desenvolvimento do país é, sem dúvida, a questão ambiental. Lamentavelmente, a conciliação entre proteção ambiental e produção de alimentos tem sido dificultada por grupos que insistem numa abordagem preconceituosa do tema, onde o produtor de alimentos sempre é apresentado como o ‘vilão’ da história. O Brasil, que é ao mesmo tempo uma das maiores potências do agronegócio em todo o mundo e o detentor de alguns dos mais importantes recursos ambientais do planeta, teria tudo para liderar um exemplo de convivência pacífica entre estas esferas. Todavia, a desinformação e o preconceito continuam sendo regra na hora de discutir esse assunto, como demonstra artigo recente do professor Juremir Machado da Silva no jornal ‘Correio do Povo’, em que ataca de forma injusta o novo projeto de Código Florestal, recentemente aprovado pela Câmara dos Deputados. Juremir é natural da Fronteira Oeste do Estado, mas mesmo vindo de um lócus privilegiado para olhar a questão sem os velhos ranços da intelectualidade metropolitana contra o agronegócio, o nobre escritor faz a opção de fazer do discurso mítico das ONGs ambientalistas sua principal fonte de informação. O debate ambiental está turvado em nosso país justamente porque, ao invés de se socorrer de números e critérios científicos, ambientalistas e suas correias de transmissão na mídia preferem jargões dogmáticos e palavras de ordem despidas de realidade concreta. O novo texto do Código Florestal é apresentado, na visão do escritor, como um retrocesso, apenas porque contempla algumas reivindicações dos produtores rurais. ‘Se vem de ruralista, não pode ser coisa boa’, diz um jargão comum que jornalistas ‘isentos’ usam secretamente nas grandes redações. Sua visão, entretanto, não é baseada num olhar atento do novo projeto, e sim em puro radicalismo ideológico, na base do ‘ouvi dizer’. O novo projeto mantém, por exemplo, o conceito de Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal, apenas adequando a extensão das APPs a um critério mais científico e menos arbitrário do que é hoje. Biomas como o da Mata Atlântica estarão integralmente preservados. A Amazônia possui ainda 86% de cobertura verde original, coisa que as ONGs escondem. O projeto também subverte a lógica meramente punitiva da antiga lei, substituindo-a por uma gestão mais educativa dos recursos naturais. O novo Código não vai proibir o plantio em áreas rurais já consolidadas, como queriam os ambientalistas radicais, mas obrigará o produtor a fazer a compensação ambiental em outras áreas. Ganha o produtor, que continuará produzindo, e o meio ambiente, que será recuperado. Somente o ódio gratuito que grassa em certos meios intelectuais contra o agronegócio justificaria o discurso de que os ‘ruralistas querem mais é destruir o meio ambiente’. Nenhum produtor rural, em sã consciência, tem interesse na destruição dos recursos que proporcionam a existência de sua atividade. Todavia, o mesmo preconceito que agora atira o projeto do novo Código Florestal ás feras, tem sido responsável por um verdadeiro cipoal de decretos, portarias e outras regrinhas que, na prática, foram definidas de cima para baixo, sem votação do Congresso, sem qualquer participação da população, a não ser de certos grupos que se arvoram defensores do ambientalismo e não foram eleitos por ninguém. O Congresso devolve à discussão do meio-ambiente ao povo brasileiro. Juremir iniciou seu artigo citando o escritor Edgar Morin, e eu encerro o meu também com ele. Morin, que é judeu, tem a grandeza de defender o entendimento entre seu povo e os palestinos para a construção da paz. Juremir, entretanto, não segue seu mestre e prefere mesmo a guerra aberta que o ambientalismo trava contra quem produz alimentos para gerar riquezas, emprego e crescimento para o país. Tarso Francisco Pires Teixeira Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel Vice Presidente da Farsul