Matas, várzeas e campos altos
Prezado Juremir
Acompanho com interesse as tuas crônicas no Correio. Preciso dizer, porém, que discordo de quase todos os teus pontos de vista, assim como discordo dos que ao discordarem de ti, tentam rotular-te como ignorante e burro. Admiro a tua inteligência e o teu sarcasmo, além da forma irreverente com que tratas dos mais diversos assuntos. Gostaria, entretanto, de trazer para a discussão que tens patrocinado sobre a questão ambiental, a minha humilde opinião, como produtor rural, Engº Agrônomo e, principalmente como admirador apaixonado da natureza. Tudo o que se tem falado sobre esse tema, sempre vem carregado de paixões e ideologias, de ambos os lados. Entretanto, se retirarmos tais componentes, indesejáveis a uma discussão séria, se aplacarmos os preconceitos e os ranços, surgirá a verdade, cristalina como as águas das fontes que brotam nas coxilhas do nosso pampa. Que verdade é essa?
Os legisladores e teóricos ao tentar protejer o ambiente, tentaram simpificar a questão, e adotaram o termo Código florestal, o que tem sido o motivo de grandes confusões. À partir disso, tratou-se de preservar e recuperar florestas, em ecossistemas, onde nunca houve uma árvore sequer. Tu mesmo, sendo natural de Santana do Livramento, quase vizinha da minha Jaguarão, deverias recordar das paisagens dos campos da nossa região, grandes extensões de várzeas povoadas apenas com gramíneas, e há milhões de anos. Acusam os produtores rurais de desmatar as ... várzeas!!!! Querem que a reserva legal recupere o que nunca existiu, em campos que estão, ainda, intocados? O máximo que conseguirão, será formar reservas de capim annoni!!!. O professor Paulo Brack escreveu que a reserva legal pode ser alvo de um manejo sustentável, mas cita apenas as opções para campos altos. E nas várzeas, fazer o quê? Por falar em capim annoni, não vi nenhum ecologista ou eco-político dedicar-se ao estudo de uma forma de controlar essa terrível invasora exótica, que vem devastando os campos de nosso estado. Algum órgão de governo destinou algum recurso para pesquisas com esse fim?
A verdade, meu caro, é que tratam biomas diferentes como iguais. Generalizam, e por isso cometem tais erros. Com isso, condenam todos os produtores, generalizam, e, novamente, tratam diferentes como iguais. O produtor rural moderno, pequeno, médio ou grande, é um empresário, não importa o tamanho, busca alta produtividade e lucro. Para obter isso, sabe que precisa preservar os seus bens mais caros, que são a terra, a água e o ar. Obviamente, existem produtores que desmatam, poluem e degradam o ambiente. Estes, mesmo antes de serem alcançados pelos braços da lei, o serão pela ruína de seu negócio, antes do que ele imagina.
Ao finalizar, sugiro que faças uma visita à tua Livramento, e que, ao percorrer aqueles campos, tentes recordar das matas nativas existentes na época da tua infância. Terás uma grande surpresa, ao verificares o quanto aumentou a área coberta por essa bela vegetação, neste anos todos. Verás, também, mesmo sem descer do carro, a convivência harmônica e pacífica entre o produtor rural e a a natureza, exemplificada nas progressistas e bem cuidadas propriedades rurais, pequenas, médias e grandes à margem da rodovia, em toda a nossa região. Entretanto, quando encontrares algum assentamento do MST -Incra, convém descer e dar uma olhada com mais atenção. Talvez estejas frente a frente com alguma reserva muito Legal.
Almiro de Faria Piúma
Jaguarão - RS