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Medalha do Mérito Farroupilha

Homenagem acontecerá hoje na Assembleia Legislativa do RS

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Por iniciativa do deputado Jeferson Fernandes (PT), recebo hoje, a partir das 13 horas, a Medalha do Mérito Farroupilha, atribuída pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. A mesa diretora da Casa aprovou a proposta. A mesa é composta pelo presidente da AL, Luís Augusto Lara (PTB), 1º vice-presidente, Zilá Breitenbach (PSDB), 2º vice-presidente, Vilmar Zanchin (MDB), e por quatro secretários, Ernani Polo (PP), Edegar Preto (PT), Luiz Marenco (PDT) e Sergio Peres (PTB). Essa chancela suprapartidária, que valida a homenagem como de todo o parlamento, lisonjeia. Tomo-a como o reconhecimento de uma missão que nos damos na Rádio Guaíba, Taline Oppitz e eu, todos os dias, no programa Esfera Pública: ouvir todos os lados com o mesmo interesse e atenção.

      Ponto e contraponto. Eis o nosso lema. Nosso mantra. Com a produção, chegamos a ser chatos. A Pâmela ouve todo tempo: precisamos de contraponto. Nem sempre conseguimos. Mas tentamos obstinadamente. Esquerda, centro, direita, independentes, anarquistas, todos nos interessam. Acreditamos profundamente na força do melhor argumento. Jeferson Fernandes, com sua suavidade na argumentação, sempre disposto a discutir, a dialogar, a debater, volta e meia integra a nossa bancada, que tem lugar também para os estridentes, frontais, galos de rinha. Se há matéria para análise, se há divergência de pontos de vista, colocamos para debater. Creio que a Medalha do Mérito Farroupilha coroa essa postura.

      No passado, viam-me como de direita. Nunca entendi a razão. Eu criticava o stalinismo e o pinochetismo. Hoje, muitos me rotulam de esquerdista. Eu me declaro poeticamente anarquista, pragmaticamente socialdemocrata, liberal com preocupações sociais, defensor de políticas redistributivas na economia e de liberdade comportamental. O meu modelo é o sueco. Sonho como uma Suécia tropical. Uma Suécia com samba, Bossa Nova, drible, caipirinha, que não bebo, churrasco e chimarrão, que não tomo.

      Tenho sido jornalista, professor, tradutor, escritor, palestrante, debatedor. Há muito deixei de acreditar no melhor dos mundos, o que só tem reforçado a minha utopia de um mundo melhor, a ser feito por nós, a cada dia, nos debates da vida. Já tem gente pegando do meu pé. Escrevi criticamente sobre a Revolução Farroupilha. Como posso aceitar uma medalha do mérito Farroupilha? Houve mérito também entre os farroupilhas. Sem me dar ares de grandeza, que sou apenas um guri de Palomas, dedico essa medalha aos negros farroupilhas, aos infantes e aos lanceiros, aos que morreram massacrados em Porongos e aos que foram enviados para o Rio de Janeiro e depois lutaram como “voluntários da pátria” no Paraguai.

      Acredito na política. Respeito e admiro políticos dos mais diferentes partidos. Na última eleição, votei em candidatos de cinco partidos. Tenho minhas pequenas convicções: pluralismo, respeito à diversidade, compromisso com o combate a preconceitos: racismo, machismo, homofobia. Estou entre os que defendem viver e deixar viver, pois toda forma de amor, conforme a canção, vale a pena, mas não o ódio. Obrigado.