Juremir Machado da Silva

Memórias de um fotógrafo na linha de frente da Legalidade ((5)

Memórias de um fotógrafo na linha de frente da Legalidade ((5)


A Legalidade não mexeu só com o patriotismo, a culinária e a arte gaúcha também entraram na briga. O bar e restaurante Luso, na rua Jerônimo Coelho, próximo ao Palácio, substituiu o carreteiro à Camões, que era servido com um ovo frito sobre o arroz e o charque, pelo à Brizola, com três ovos.

No cardápio do antigo Treviso, restaurante histórico localizado no Mercado Público de Porto Alegre, o corriqueiro bife a cavalo foi alterado para o bife à Brizola, com três ovos estrelados, pelos mesmos 45 cruzeiros do comum.

Era tanta vontade de ajudar que houve algumas confusões. O Hino da Legalidade, com versos da poetiza Lara de Lemos com parcerias do ator Paulo César Peréio e o jornalista Mario de Almeida, foi denunciado como plágio pela dupla campeira Osvaldinho e Zé Bernardes, popularíssima na época.

“Era uma moda nossa que deram um ligeirão para transformar em marcha e com outros versos”, reclamava Osvaldinho, abrindo a gaita tocando e cantando a versão da sua música com os dentes de ouro à mostra.