Mensagens de leitores (2)
Caro Jovem Iludido Juremir;
Nunca se deve tirar a ilusão dos jovens-quando sadios (todos são sadios; os adultos é que os desvirtuam).
Existe uma inocência agregada a essa ilusão-que é a força criadora do existir.
Nela se fundamentam os princípios da vida, nela se harmonizam a esperança das gerações que já foram e que agora observam a sincronicidade entre o tempo passado e suas realizações e o tempo que virá.
Como é magnífico esse tempo!
Tem uma conexão com a divindade do existir. Tem gestos destituídos de propósitos egocêntricos maléficos e somente possui gestos de sutileza, de agressividade pueril, de brincadeiras-feito exercício de sorrir por se saber vivo, de sonhos repletos de sensualidade e de sexualidade sadia.
Beleza frente à perplexidade do mundo!
Como é bonito ver jovens com ilusão e com múltiplos sonhos!
Como é bonito perceber as relações de amizade e de amor que são a energia do tempo vindouro!
E como são belas as suas dúvidas!
Essa ilusão feita de inocência não se refere à falta de percepção ou falta de discernimento ou de inteligência; pelo contrário, faz parte da vida em sua essência, tem em seu núcleo a seiva da espirituosidade, da liberdade, da justiça, da criatividade, do simples e do singelo - fundamentos de uma sociedade humanizada e sadia.
Quem não passa por isso tem a maturidade ferida, pois não teve reconhecimento de um tempo sem qualquer rumo que não o momento cobrado pelo medo e pelo exercício da ganância egocêntrica.
Quem não passou pela ilusão juvenil é fonte que alimenta essa máquina social destrutiva que vivemos.
Assim - jovens com ilusão, deveríamos ter sido; se é que assim não fomos, minoria privilegiada.
Observe a juventude sadia.
Só ela pode mudar as relações conflituosas, desonestas, fraudulentas, vis, injustas, desumanas e indigestas que norteiam nossas lideranças.
Nossa sociedade necessita de jovens com ilusão sadia. Serão líderes saudáveis.
Eles acabarão com o jeitinho à moda vantagem-servida em coquetéis verde amarelos, insípidos.
Eles farão um país e um mundo sem possessões doentias, sem ganâncias desmesuradas, sem medos, sem repressões neuróticas, sem angústias, sem indecências, sem falsos méritos pessoais baseados exclusivamente na matéria.
Meninos e meninas de um novo tempo. De um tempo de comunicação ligeira, versátil, ágil, dinâmica e extensa. Adolescência sábia.
É bom que, adultos, saibamos perceber e incorporar aos nossos antigos bons valores a esperança de uma geração feita de ilusão. A ela caberá um novo modelo social; um novo modo de entender a esperança.
Atc.
Etílio Tuíscon KIch
Oi Juremir
Na verdade mais da metade do café e do açúcar que ia para a Europa era produzida pelos escravos negros da colônia francesa do Haiti. E, depois que os negros conseguiram a independência a França e tb a Inglaterra fizeram uma campanha forte contra a compra desses produtos e assim o povo haitiano não tinha para quem vender e nem como sobreviver. Depois veio o papa doc, o baby doc, etc... De fato esse povo sofridíssimo merece uma gorda indenização pelo menos por parte da França. E, na verdade, assim tb o Senegal, etc, etc... Liberté, égalité, fraternité! .... eu acho que a revolução francesa ou ainda não ocorreu ou então não se completou e essas belas palavras não passam de pura retórica. Leandro
Ilustre Jornalista, parabens pela sua lúcida coluna, sobre a questão Haitiana. A hipótese da indenização francesa ou portuguesa em que pese ser uma ironia humorística não deixa de ser exemplificativa. O nosso governo também deixa dívidas por anos e anos. Exemplo são os precatórios do IPE-RS, não pagando aos que morreram, nem aos sobreviventes, tampouco aos herdeiros. O governo federal também ignora o terremoto social brasileiro, mas sempre que pode solta rojões de solidariedade. Obrigado. Jorge Amado Ribeiro Soares.
Olá Juremir,
Acompanho sua coluna no Correio há muito tempo e acho que suas opiniões são muito lúcidas, especialmente no que se refere ao mar de mediocridade no qual já afundamos (eca!).
Entretanto, deixando a tristeza de lado, eu gostaria de resgatar um texto bastante cômico que li faz alguns anos, no qual você tratava de maneira irônica a evolução (?) dos nomes que as pessoas atribuem a seus filhos.
Pelo pouco que me lembro, havia os Wesley e Valdisnei da baixa renda, os João Pedro dos ricos, e por aí vai...
Imagino que você não tenha esquecido dessa preciosidade, e, se for possível, gostaria de ter acesso a esse escrito.
Desde já, agradeço!
Um abraço! Hervé (por sorte meu nome não foi citado no texto, hehe...)
Olá Juremir,
Algum tempo atrás te enviei um e-mail onde eu manifestei a relação que tinha contigo onde "eu pensava e tu escrevia", na coluna de hoje o teu texto expressa exatamente o que eu penso, já havia, em conversas sobre o ocorrido no Haiti, manifestado de que a fome já não causa perplexidade na "humanidade", foi preciso um terremoto, uma catástrofe gigantesca, para que o mundo percebesse o Haiti, que há fome, não há água para beber, não há educação, não há saúde básica, enfim, que o Haiti também é lá, não só aqui.
Fiquei perplexo....
José Wilson Medeiros Filho