Juremir Machado da Silva

Metamorfoses eleitorais brasileiras

Passou um furacão pelo Brasil.

Um furação eleitoral.

O PT encolheu de 638 prefeituras para 254.

O PSDB cresceu para quase 804.

O PMDB continua na frente com 1.038.

Mas apanhou nos maiores colégios eleitorais.

Partidos desconhecidos como o PHS ganharam em cidades importantes como Belo Horizonte.

O PRB ganhou no Rio de Janeiro.

Porto Alegre é um caso especial.

A esquerda nem foi ao segundo turno.

Sebastião Melo, do PMDB, perdeu apesar de ter uma coligação do tamanho de um bonde.

Por que perdeu?

A pergunta parece complexa. A resposta é simples.

Porque, tendo dois candidatos de um mesmo campo ideológico, a população preferiu livrar-se do continuísmo.

Ou tem muita gente contente com a atual administração?

Para ganhar, Melo precisaria dos votos de petistas e psolistas,.

Quantos petistas aceitaram votar no PMDB que se atolou no petrolão com o o PT e depois derrubou Dilma?

Melo precisava carregar o PMDB do impeachment, ou golpe, da Lava Jato, do petrolão e também do Sartori.

E a administração Fortunati.

Era peso demais nas costas.

Tudo mudou.

Marchezan ganhou junto com o PP e o PTB.

Ele conseguiu encarnar-se como novidade.

Não mudou o discurso. Manteve-se como sempre é: incisivo, direto, até agressivo.

A autenticidade foi uma aposta vencedora.

Os petistas, depois da eleição, têm dois caminhos a seguir: fundar um novo partido ou limpar o atual.

Fora disso, restar torcer pelo fracasso dos novos donos do poder e pela falta de memória dos eleitores.