Juremir Machado da Silva

Milton Nascimento em tom de mestre

Milton Nascimento em tom de mestre

Milton Nascimento tem voz de saudade, essa espécie de saudade que dói com gosto e cheiro de goiaba, fazendo com que a gente sinta alguma vontade de continuar sentindo essa dorzinha chamada nostalgia, lembrança de um tempo que talvez nem tenha sido, mas que continua a se refletir no espelho do tempo como uma imagem perfeita.
O velho Milton cantou neste domingo no Teatro Bourbon, em Porto Alegre, no 24 horas de Cultura, mais um belo evento da Secretaria Municipal da Cultura, organizado por essa turma irrequieta do Sergius Gonzaga.
Foi um Milton igual e diferente. Igual pela voz inigualável, soberana, cristalina. Diferente pelo tom de mestre, colocando em cena vários dos seus "afilhados", jovens músicos descobertos nas Minas Gerais.
Milton virou professor. Fez um show-escola.
Exagerou um pouco na dose das experiências e da força aos pupilos.
Mas se redimiu cantando clássicos com a maestria de sempre.
Milton vale todos os clichês.
Afinal, está acima do lugar-comum.
O que também é um clichê.
Na foto sobre a mesa, Milton é uma imagem impecável.
A imagem da voz.