Juremir Machado da Silva

Minha homenagem ao grande Wando

Uma bomba encontrada na altura da rua Presidente Roosvelt causou congestionamento no local
Uma bomba encontrada na altura da rua Presidente Roosvelt causou congestionamento no local Foto : Mateus Bruxel
Morreu o cantor Wando.
Ele era muito brega.
Eu também sou.
A breguice de Wando era o romantismo meloso.
As calcinhas perfumadas distribuídas nos shows.
Assim como as rosas do rei Roberto Carlos.
Pode haver algo mais brega do que ser o "rei"?
Wando era maravilhosamente brega.
Lembro-me de uma manhã, há 30 anos, quando, estudante errante, acordei na casa de um amigo e, desesperado para saber a hora, liguei o rádio e começou a tocar Wando.
O dono da casa apareceu e me botou para fora:
– Na minha casa ninguém escuta Wando.
Eu podia ter explicado, mas não quis.
Fui embora com Wando no coração.
Eu escutava "Moça" e gostava.
Ainda gosto.
Wando era o Michel Teló com sentimento.
Isso mesmo.
Brega com sentimento eu aprovo.
Sou sensível.
Wando também era.
Todos nós, ouvinte de coisas sofisticadas, ouvimos Wando e outros equivalentes quando estamos descornados ou, então, perdemos a oportunidade de experimentar uma boa fossa.
Wando era do também em que se dizia fossa.
E se toma uísque com guaraná.
Wando era dez.
A breguice autêntica, pura, sentida, sofrida.
Não era apenas a breguice da indústria cultural.
Estou de luto por Wando.
Fica aqui a letra da sua canção maior.

Moça

Moça me espere amanhã levo o meu coração pronto pra te entregar

Moça, moça eu te prometo eu me viro do avesso, só pra te abraçar

Moça eu sei que já não é pura, teu passado é tão forte pode até machucar

Moça, dobre as mangas do tempo jogue o teu sentimento todo em minhas mãos

Eu quero me enrolar nos teus cabelos

abraçar teu corpo inteiro, morrer de amor, de amor me perder