Fui a Carazinho.
Dei palestra sobra a Legalidade.
Receberam-me com carinho e generosidade.
Pessoas muito legais. Professores.
Só tinha ônibus para voltar à 1h30.
Pedi que me trouxessem de carro.
Não queria perder a festa de aniversário de 50 anos de meu amigo Luis Gomes.
Pelo Km 394 da BR 386 o carro bateu numa cratera e estourou uma roda (furou um pneu sem câmara).
Ficamos no escuro. O motorista tratou de tirar o estepe.
Trancou no último parafuso.
Era pouco mais de meia-noite. Ligamos para a Univias, que administra o pedágio da área.
Ficamos sabendo que havíamos ultrapassado o limite adequado para uma quebra.
Atendimento só até o Km 390.
Que erro de cálculo.
Ligo para a Polícia Rodoviária, que me dá o telefone de um borracheiro, que não atende.
Passa o tempo. Esfria. Ligo para a PR, uma central, que me passa o posto mais próximo de onde estamos.
O policial, gentil, não parece entusiasmado com um parafuso entalado, mas promete enviar a viatura (cerca de nove quilômetros).
Mais de uma hora depois, nada.
Não temos lanterna. A bateria do meu i-phone acaba.
Com o telefone do motorista, ligo de novo para a Polícia Rodoviária.
Perco a compostura sem perder a elegância
Cometo pior crime para quem leu Roberto DaMatta.
Digo que sou jornalista, etc.
Por coincidência, dez minutos depois a viatura chega.
Em cinco minutos, o policial indica a solução do problema: o uso de uma chave especial.
Que mico!
Não sei dirigir.
Mas vou aprender a trocar pneu. Já!
E vou baixar o aplicativo lanterna (será um aplicativo?) no meu iphone.
E tratarei mal qualquer pessoa que declare ser inútil ter um celular.
*
Hoje, Santa Maria.
Peguei a passagem na rodoviária com uma requisição da UFSM.
Perdi a passagem.
Liguei para a rodoviária, que me passou para a empresa, que me passou para o Sac, que me passou...
Perdi a compostura com menos elegância.
Falei em Procon (um sonho meu, reclamar no Procon).
Pedi para falar com o presidente, o dono, o escambau...
Todos eles: não existe segunda via. Só com Boletim de Ocorrência.
Ameacei com um "eu sou jornalista"...
Fiquei envergonhado.
Baixei o nível: falei para o cara do Sac que a empresa em questão devia se espelhar na concorrente, melhor, mais bonita, mais confortável, com atendimento perfeito (um motorista me chamou pelo nome dia desses).
O cara disse: "Ta bem".
Liguei para o Procon.
Ninguém atendeu.
A minha poltrona era a 7.
Hoje, minutos antes da partida do ônibus, quando o fiscal declarar a poltrona 7 sem passageiro, vou comprá-la.
Nunca mais ligarei para o Procon.
Nunca mais tentarei falar com o presidente da empresa.
Nunca mais ligarei para o Sac (sua mensagem será gravada, eu prometendo dar carteiraço).
Fui para o saco.
Baudillard me ensinou, "frontal nunca", mas eu não aprendi: o drible é a força dos fracos.
BO não faço. Só princípio de barraco.
Depois, desço do (da) planalto e, na planície, busco a solução brasileira e eficaz: meter a mão no bolso. Comprar nova passagem.
Mais uma utopia desfeita: o Procon é só presencial.
Estou no mundo virtual.
Uma vez tentei o "sabe com quem está falando?"
E o cara: "Com quem mesmo?"
Com o Juremir.
"Pois não, seu Jurandir".
Enfiei a viola no saco.
Sac, nunca mais!