Modernos e primitivos
Prezado,
Na coluna deste domingo dizes que aprendes com Paulo Coelho
que a humanidade não é confiável. E estranhas que
apesar do fantástico desenvolvimento tecnológico e
científico o imaginário permanece subdesenvolvido. Acho
estranho esperares que o desenvolvimento tecnológico e
científico possa criar, pela sua maneira de abordar o
mundo e seus compromissos, uma nova consciência à altura
de uma modernidade de indivíduos autênticos.
Explico. A modernidade criou a ilusão trágica de que
não temos nada a ver com os “primitivos” e suas
explicações exóticas de mundo, ou com a generosa mãe
Terra. Com a modernidade aprendemos a esquecer quem foram os
inventores da comunicação falada e escrita, e das
religiões que precederam a filosofia e a ciência. Como
se não tivéssemos mães e pais ancestrais. A
modernidade tentou realizar o sonho de Comte acreditando que
se a educação científica substituísse as
religiões, todos, trabalhadores e patrões, seriam mais
felizes, e haveria harmonia social. A modernidade não
cumpriu o sonho de Marx e dos marxistas de que o
desenvolvimento material abriria as portas para a
revolução e para um novo mundo livre das necessidades.
Mas a modernidade criou o Estado de Bem Estar Social, um
sistema de produção de larga escala jamais visto, cujo
motor é o conhecimento, a ciência e a tecnologia, e um
novo tipo de homem, o consumidor egoísta. É possível
esperar espíritos autônomos de uma ciência e de uma
tecnologia que se desenvolvem para atender clientes cujas
necessidades de consumo elas mesmas criam? E porque
desacreditar de uma humanidade que foi capaz de produzir
tamanha revolução tecnológica? A humanidade que
inventou a servidão, a escravidão, as castas, os
proletários, a tecnologia e a ciência, não seria capaz
de inventar a arte de construir indivíduos com habilidades
e coragem para colocar a ciência arrogante de hoje, e os
seus operadores, no seu devido lugar? Será ela capaz de
reorganizar o bagunçado mundo da vida moderno,
enriquecendo-o com o desejo de acreditar na mudança,
resgatando a magia inspiradora das visões de mundo
ancestrais e das sociedades tradicionais, e valorizando a
paixão nietzschiana que quer dar um novo sentido para a
vida humana. O exemplo de Chico Xavier, que transformou os
sofrimentos de seu mundo infantil em disciplina e
dedicação a um projeto, pode ser tratado como produto de
uma cidadania de “segunda classe”. Mas o mais
importante, do ponto de vista do desenvolvimento social
brasileiro, é que ele pode ser visto como possibilidade de
superação de um país que se mostra capaz de produzir
um operário presidente, os melhores jogadores de futebol
do mundo, e uma cultura musical riquíssima, de modo
diferente dos países ricos ocidentais. Um modo de
criação e superação que não cabe na
representação de sociedade das elites culturais e
governantes, mas que tem operado transformações. Não
conheço muito de Paulo Coelho, mas uma rápida leitura de
“O Alquimista” parece indicar que ele levou a sério a
necessidade de estimular o que todos temos: a capacidade de
sonhar e de criar mundos imaginários. Uma alternativa
melhor que a de outro setor da economia, o das drogas, que
vem crescendo dramaticamente com a modernidade pluralista e
democrática.
Aproveitando o momento, gostaria de saber tua opinião: é
possível esperar de setores da mídia brasileira alguma
contribuição para um debate público que valorize as
opiniões consistentes da sociedade, do mercado e dos
governos, em temas como a organização e o
desenvolvimento da cidade, um novo projeto de educação
para o Estado, e um projeto de desenvolvimento sustentável
para o Brasil? Ou é impossível a constituição de
uma esfera pública plural e equilibrada?
Atenciosamente,
Milton Cruz
Bom dia Juremir Sou leitor assíduo de sua coluna impressa, apesar de ser um viciado virtual, mas isso ainda é fruto da confeitaria da esquina , na qual saborreio sua coluna num café expresso. Nessas conversas de padaria que se fica sabendo muitas opiniões. Na sua opinião Juremir, com essa prostituição de coligações pode-se afirmar que não existe mais direita / esquerda? E que na sua opinião o que se está por vir é sim uma DITADURA eletrônica, em que o imposto de renda vai vir apenas o boleto pra pagar ? E você que é um intelectual, que nota daria a esse bando de assessores do Serra que acha que o povo Brasileiro tem "QI"abaixo da média, sim por que na minha opinião , nada se justifica eles sequer ter um plano de governo. Um Grande abraço *Astor Staats - *colorado feliz
Mestre!
Ontem sai com a minha filha nº2, tua leitora de 16, que pratica hapkido, fomos assistir ao filme B1 TENÓRIO EM PEQUIM (documentário). Trata da trajetória de nosso atleta
paraolímpico Antônio Tenório em busca de sua 4ª medalha olímpica de judo.Tenório é
deficiente visual e consegue se superar e aí fiquei pensando das nossas "deficiências"
do dia dia, que naturalmente, não são de limite físico, mas de espírito, sim, espirituais,
não as de "vidas passadas", cujo tema não tenho conhecimento para discorrer; falo de
"vidas presentes", da nossa sociedade, digo melhor, da nossa família. Precisamos, meu
caro pensar em nossas "deficiências" e buscar o quanto mais rápido possível procurar
corrigi-las para a nossa felicidade AQUI. O sol veio nos brindar mais uma vez. Devemos
aproveitá-lo com muito amor no coração. Bom domingo, junto a tua querida Cláudia,
amado Juremir. Nat.Oliveira.
Caro amigo jornalista e escritor Juremir Machado da Silva. Quero manifestar o meu afetuoso abraço, pela Vossa coluna do dia seis de setembro de 2010 no Correio do Povo, com o título SER ESCRITOR . É realmente um apanhado geral do que é fazer e divulgar cultura no Brasil. A coluna retrata exatamente o que passei aqui na pequena cidade de Horizontina, após eu ter editado a minha primeira obra literária que tem por título, NO VENTRE DA NOITE, pela Editora AGE de Porto Alegre em 2006, quando também estive presente na tarde de autógrafo na Grande Feira do Livro nesta capital no mesmo ano. A Vossa coluna mexeu com todas as minhas emoções e me fez rever todos os meus conceitos consigo mesmo, ao dizer que sejamos aquilo que a sociedade quer que nós somos. Pois no momento em que manifestarmos ao contrário, somos intrusos para certas mentalidades que eu até diria são vasias. Mas, acho caro amigo Juremir, que devemos continuar preservando a espécie, pois somente assim daremos oportunidades aos que se dizem sábios e têm vergonha ou medo de expor seus ideais, suas críticas, seus pensamentos de uma forma até conciliadora para a sociedade de hoje. E o mais importante, recebemos muitas críticas de quem não tem coragem de dizer, EU EXISTO E ESTOU AQUI.
Saudações caro amigo e desejo-lhe sucesso na Vossa caminhada, que eu sei, é longa e cheia de obstáculos.
José Noli Viana do Nascimento