Mundaças no trânsito de Porto Alegre
Tudo que é bom para os taxistas é ruim para o resto da populacao, salvo quando a população pega táxi.
*
Bom Fim e o fim de uma pequena cidade Oi Juremir, escrevo para falar sobre a abertura do trânsito da Zona sul na Ramiro Barcelos com a Osvaldo Aranha. Sei que pode parecer aqueles assuntos chatos, mas o que acontece no Bom Fim é um reflexo da triste visão de cidade que temos por parte dos nossos políticos. Em prol de desafogar o transito, uma rua de bairro, pacata, com comércio local, com moradores idosos, acaba sendo transformada em via expressa. Até os estacionamentos foram retirados, da noite para o dia, em uma manobra no mínimo suspeita. O Bom Fim é um daqueles poucos bairros onde se pode resolver tudo a pé, do sapateiro à quitanda, da banca de revista até o banco e de lá para um café. Essa mudança imposta a partir de uma medida de um tal Bernardino, vereador do PMDB, já está desde sábado causando danos. Comerciantes e moradores insatisfeitos e preocupados com o que pode vir depois, porque claro, sempre tem um depois. Lembro de Jane Jacobs, autora "Vida e morte das grandes cidades", e sua luta contra o poderio de uma mentalidade progressista que via apenas no automóvel e seu fluxo ininterrupto a salvação de toda e qualquer cidade. Jacobs lutou e salvou boa parte dos bairros do Sul de Manhattan. O Village, onde ela morava hoje não existiria, seu legado é maior que isso, é o de alguem que percebeu que na manutenção do micro tecido social das ruas de um bairro se forma uma cidade, e a nossa cada vez ruma para uma homogênea e tediosa trama de shoppings e avenidas entupidas de carros. Não sei até que ponto eu, minha mulher, todas as pessoas que convivo há alguns anos nas ruas do bairro não irão tambem desaparecer no meio disso tudo. Uma rua aberta é as vezes uma ferida aberta onde lenta e vagarosamente esvai todo o sangue. um abraço Nicolau Neves