Não deu para Rubinho
Que pena! Desta vez, não deu para Rubinho. Que novidade! Na largada, havia 13 carros entre Rubinho e Button. Ao final, havia quatro carros entre Button e Rubinho. É destino. Rubinho foi Rubinho e o mundo continuou a rodar como sempre. Mas eu torci por Rubinho. Sempre espero que o Sargento Garcia vença o Zorro. Sempre espero que Sancha Pança tome o lugar de D. Quixote. Sempre espero que a Ana Paula Arósio me faça um 21. Sempre penso que um dia nós, os retardários, daremos o troco aos líderes de sempre. E, de vez em quando, contra todas as expectativas, largamos na frente. Mas terminamos atrás. Rubinho queria saltar de segundo para primeiro. Pulou de segundo para terceiro. Nada de novo na pista. O mundo é enfadonho. Dá sempre a lógica. Continuamos os mesmos. Rubinho é o nosso heroi, um anti-heroi bem brasileiro, que sonha como nós, perde como nós e volta a sonhar como nós. Ele é rico, não precisa jogar na mega-sena, mas, de certo modo, faz a sua fezinha como qualquer um de nós. Tudo o que ele quer, exatamente como nós, é virar a mesa, cancelar o destino, virar o jogo, mudar o resultado, sair da rotina, criar o acontecimento. O problema é que o acontecimento não se deixa dominar, faz de conta que vai se dobrar e acaba, como sempre, por impor a sua verdade banal, cruelmente banal, banalmente cruel. Rubinho é a nossa cara. Mesmo ganhando, perde. Mesmo perdendo, vibra. Brasil, Brasil!